quinta-feira, 1 de maio de 2014
Entrevistamos: Cintia Alves da Silva (14/04/2014)
terça-feira, 22 de outubro de 2013
A ciência lê Chico Xavier: Linguista aponta coerência nas características de cartas psicografadas pelo médium
segunda-feira, 20 de maio de 2013
LIVRO "As cartas de Chico Xavier: Uma análise semiótica" ( Cintia Alves da Silva )
Sinopse
Título: As cartas de Chico Xavier: Uma análise semiótica
Assunto: Linguística
Formato: 14 x 21
Páginas: 212
Edição: 1ª
Ano: 2012
Faça o DOWNLOAD GRATUITO do livro no site da editora Cultura Acadêmica:
http://www.culturaacademica.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=299
terça-feira, 3 de maio de 2011
Mãe fala sobre as cartas de Chico Xavier
Célia Diniz descreve as sensações e como encarou a morte e o recebimento de cartas de seus filhos através do médiumÂngela Moraes - Especial para o JC
Aos 10 anos, Rangel voltou ao plano espiritual por um acidente de bicicleta. Aos 27, sua irmã Mariana também, em virtude de dengue hemorrágica. Na Terra, ficou Célia Diniz, vice-diretora hoje do Centro Espírita Luiz Gonzaga [Pedro Leopoldo, MG] e uma das mães que buscaram o alívio nas cartas de Chico, assim como no filme “As mães de Chico Xavier”, na personagem vivida por Vanessa Gerbelli. Em entrevista especial ao Jornal Momento Espírita e Jornal da Cidade, Célia relata o feliz reencontro de seu coração com as palavras irrefutáveis de seu filho, pelas cartas de Chico, bem como a bendita consolação vinda através do conhecimento da realidade espiritual:
JC - Quantas cartas você recebeu de seus filhos?
Célia Diniz -Recebi duas cartas-mensagens do Rangel, através de Chico, a Mariana se foi em 2006.
JC - Antes de recebê-las, você já era espírita?
Célia - Eu já era espírita. Meu pai trabalhava na Fazenda Modelo junto com o Chico e fazia parte da diretoria do Centro Espírita Luiz Gonzaga, fundado pelo Chico em 1927, portanto fui criada numa família espírita.
JC - Quando recebeu a primeira, de quem era? Chegou a duvidar que fosse mesmo de seu (sua) filho(a)? Teve certeza da autoria de que maneira?
Célia - Eu conhecia a excelência da capacidade mediúnica do Chico e não duvidaria de nada. Mesmo assim as mensagens eram permeadas de tantas evidências, que não deixavam margem para incertezas. Traziam apelidos, nome de familiares, de amigos, da ajudante do lar, de parentes desencarnados dos quais nem nos lembrávamos ou sabíamos que existiam; situações do cotidiano familiar, tais como sentimentos mais íntimos, diálogos. Traziam ainda detalhes dos momentos finais do filhinho. Desnecessário dizer que o médium desconhecia tudo isto.
JC - As cartas trouxeram que tipo de sentimento, compreensão, a você? Ajudaram a superar momentos tão difíceis?
Célia - Indescritível as emoções do recebimento das cartas. Para mim, não havia o impacto da descoberta, muito comum nas mães não espíritas. Impacto este vindo da descoberta, naquele momento, que a morte não existe, que a vida continua e o amor nunca morre. Mesmo sabendo, de antes, de tudo isto, receber notícias, era como ter meu filho de volta*. Sensação de esperança e de paz, de confiança em Deus e otimismo, muito me ajudaram na superação de tão doloroso luto.
JC - Você tem notícia de onde seus filhos estão, no plano espiritual, e em que tipo de atividade estão envolvidos?
Célia -Tenho sim. O Rangel, sei que o período de 1983 até esta data foi muito bem aproveitado no seu crescimento espiritual e que hoje já é um rapaz, e ajudou na chegada e adaptação da Mariana. Sua rotina lá é de estudo e trabalho. Quanto à Mariana, ainda em fase de adaptação, estuda e já consegue trabalhar um pouco. Mensagens recebidas por Geraldinho Lemos e Wagner Gomes da Paixão, às quais também pude hipotecar toda credibilidade, fruto das evidências que elas continham e que igualmente, eram desconhecidas por eles, muito têm me ajudado a conviver com a saudade e com a dor da separação física.
JC - Você tem algum tipo de mediunidade?
Célia - De alguma forma, somos todos um pouco médiuns, conforme as constatações de Allan Kardec. Particularmente, sinto a ajuda do Plano Espiritual, em nossas tarefas na seara espírita em geral e principalmente durante as palestras.
JC - Como foi sua trajetória até se tornar diretora hoje do CE Luiz Gonzaga?
Célia - Bem, a minha mãe era a zeladora do Centro e, pequenininha ainda, me lembro de estar junto dela “atrapalhando” na limpeza. Mais tarde um pouco, participava das aulas de Evangelização Infantil que ela ministrava. Depois algum tempo, na Mocidade. Nesta época eu cuidava de uma pequena livraria interna do Centro e me encontrava sempre com o Chico, que participava ainda, umas duas vezes por ano, das reuniões, quando em visita a Pedro Leopoldo. Nos anos 70 veio a faculdade, as aulas de química, o casamento e três filhos em menos de três anos, enfim, pouco tempo para a doutrina. Em 1983, ao ver partir o Rangel, reduzi as aulas do turno da noite e premida por intensa necessidade, voltei para as atividades espíritas, incluindo mais dedicação aos estudos, que, na verdade nunca cessaram. Com a aposentadoria em 1993, comecei a cuidar da Livraria, das campanhas para a reforma e restauração do prédio, etc. Quando a dengue levou a Mariana, em 2006, e com o casamento de Aguinaldinho, meu filho mais velho, intensificamos o trabalho. Idealizamos um memorial de nossa instituição. Ao resgatar a história do Luiz Gonzaga, resgatamos junto os primórdios das atividades mediúnicas do querido e inesquecível fundador. Hoje estamos vice-presidente da casa que me acolheu durante toda esta minha reencarnação e rendo graças a Deus, pela oportunidade do trabalho.
JC - O que tem a dizer às mães que hoje buscam notícias de seus queridos que voltaram antes delas?
Célia -Digo que as portas do mundo espiritual não se fecharam com a partida do querido medianeiro. Mas, que à falta de tão cristalino instrumento, há de se ter bastante critério na busca e na aceitação de notícias. O médium deve exercer o seu mister em total clima de desprendimento material e sem vaidades. Avaliar criteriosamente se as informações contidas nas cartas eram desconhecidas do médium e etc. Perguntar ao próprio coração se reconhece ali o familiar comunicante. Também, não podemos esquecer que “o telefone toca de lá para cá” e que sempre é possível nos consolar através da vastíssima literatura deixada por Chico Xavier sobre a realidade do além-túmulo.Ao conhecermos esta realidade, saberemos que nossos entes queridos estão amparados, mais do que nunca, pela misericórdia divina e que contam com a nossa força e equilíbrio para que se sintam fortes e equilibrados.
JC - Você chegou a acompanhar o trabalho de Chico em socorro a tantas mães? Como foi essa convivência?
Célia -Tive a oportunidade de estar em Uberaba muitas vezes e vi de perto estas atividades. Eram horas incríveis de muita aprendizagem. Nos deliciávamos naqueles ágapes de amor e luz e víamos que com mensagens ou sem elas, as mães recebiam do sublime seguidor de Jesus todo conforto e ajuda que buscavam. Quando nada mais podia ser feito ou dito, o Chico as abraçava e chorava junto. Impossível aquilatar as vibrações que emanavam dele em direção a corações despedaçados em mil partes. Parece-me que nesses encontros ele oferecia uma espécie de “colinha”, pois todas saíam de lá pacificadas, harmonizadas e esperançosas. Não era o médium, era Chico Xavier agindo, era o amor em ação.
JC - Há algo que Chico haja dito para você na ocasião, que lhe marcou para sempre?
Célia -Hoje, quando a saudade de sua presença física dói tanto, tudo que consigo lembrar do que ele me dizia me marcará para sempre. Mas vou deixar uma frase, que pode ser dita a qualquer pessoa que esteja vivenciando uma separação dolorosa: Olhe o sofrimento ao seu redor, ajude a outras pessoas que sofrem, talvez até mais, que um dia você poderá dizer: “Graças a Deus reencontrei meu filho!”.
* Destaque nosso.
FONTES
Texto: JCNet, Bauru (SP), 02/05/2011
Foto: ISTOÉ, 25/03/2011.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Zaranzas no além
Não sei, não.
Não posso escorropilar a cuca e botar banca dos craques de letras. Mas a pivetada quer dicas sobre os amigos da erva de início, da poeira maldita, da birita, das doenças do mundo e os cambaus, quando pintam por aqui nestas paróquias.
Não tenho condições para ser o pai da bola nestas palas, mas posso afirmar pra vocês que quando esses companheiros abotoam o paletó de madeira e largam a lata de pés juntos, ficam naquela dos calibrados, como quem não tomou conhecimento de que estão longe das garrafas e garangos.
Ficam zaranzas e birutas.
Partem logo pra idéia do escondido, porém, os majuras daqui não precisam de flagras. Os caras apresentam o miserê em que se acham por si mesmos.
Muito poucos aceitam a cana para tratamento. Quase todos se mandam pra Terra mesmo, esfomeados de sensação, junto dos homens, procurando gargantas fortes que os agüentem ou festinhas de embalo, nas quais se satisfazem ao contato de quantos preferem ignorar o lesco-lesco da vida, em que a gente pode achar as melhoradas de que necessita. E ligando os próprios canudos nos canudos daqueles que estão fora da onda, vão levando a nuvem pra frente. E a onda quadrada vai aumentando ... Em que tamanho será o estouro da maré, só Deus sabe. O que se vê e o que se nota é que os chapas engrossam a fila dos freqüentadores das bocas-fáceis e das praças de sangue quente, em caminhos dos quais é muito difícil voltar, a não ser quando os Espíritos da Lei os colocam de recueta na marra da reencarnação.
Vocês, meninada, não fiquem nisso.
Essas frias não valem.
É muito melhor viverem agarrados na pedreira dos compromissos, agüentando galhos e sarrafos, ainda que terminem esbolachados pela pancadaria legal do serviço.
A morte é apenas um sono fajuto e se vocês puderem crer no que digo, acordem a tempo para que o tempo não os acorde à força, pra retirá-los de loucuras e pesadelos.
O negócio melhor é agüentar as pontas da vida como essas pontas vierem, sem perder a esportiva e fiquem certos disso: a viverem ameaçados de cair na boca do leão, é muito mais fácil e muito melhor permanecermos por fora das patotas, alimentadas de folhas mágicas, buscando sempre e cada vez mais a turma do amigão Jesus Cristo.
Falei.
XAVIER, Francisco Candido. Falou e disse [Espírito Augusto Cezar Netto]. São Bernardo do Campo, SP: GEEM, 1978. p. 73-77.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
O que disse Chico Xavier sobre as cartas psicografadas na justiça
REPÓRTER - Chico Xavier, você acredita que a Justiça possa se utilizar mais a miúde de mensagens do Além nesses casos?
CHICO XAVIER - Eu creio que uma pergunta desta deveria ser endereçada às autoridades do Poder Judiciário, e não a mim que sou apenas um pequeno companheiro de nossas experiências do dia-a-dia. Agora, falando do ponto de vista não apenas de espírita, mas também de cristão, eu me recordo de que o ponto básico da Doutrina Cristã é o da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo venceu a morte e nos deu a mensagem da Vida Eterna. Então, como cristão eu acredito que se a mensagem de alguém, que se transferiu para a Vida Espiritual, demonstrar elementos de autenticidade capazes de interessar uma autoridade humana, essa mensagem é válida para qualquer julgamento.
Programa Flávio Cavalcanti, Rede Tupi de Televisão. Rio de Janeiro, RJ, 30/09/1979. Caso Maurício Garcez Henrique.
FONTES
Texto: XAVIER, Francisco Candido. Lealdade [Mauricio Garcez]. Araras, SP, Ed. IDE, 1982. p. 39-40.
Foto: Pablo de Regino, Revista Sou mais eu.
sábado, 13 de novembro de 2010
Estreia o documentário "As Cartas Psicografadas por Chico Xavier"
As cartas psicografadas por Chico Xavier é um filme de conversas e silêncio. Mães e pais que perderam filhos, procuraram Chico, receberam cartas. Sentimentos, lembranças, imagens da falta de alguém. A procura por alento para a dor sem nome. As palavras chegam em papel manuscrito. As cartas são lidas. Sobreviver a isso, viver ainda assim. As cartas são os elos entre mães e filhos, entre Chico e essas mães e seus filhos, entre o público e o filme.Com a participação de:
Yolanda Cezar
Nyssia Cantamessa Leão de Oliveira
Sonia e David Muszkat
Thereza de Toledo Santos
Edinah e Armando Lodi
Piedade da Silva Chapela
Maria Helena de Jesus Sonvêsso
Maura Pereira Cassiano
Direção e Roteiro: Cristiana Grumbach
Produção Executiva: Luiz Alberto Gentile
Direção de Produção: Priscila Pitta Beleli
Fotografia e Câmera: Pedro Bronz
Som Direto: Ives Rosenfeld
Pesquisa: Geraldo Pereira, Mariana Bitiato, Priscila Pitta Beleli e Tatiana Porto
Montagem: Cristiana Grumbach e Karen Akerman
Edição de Som: Mariana Barsted
Colorista: Leo Hallal
Mixagem: Damien Seth
Arte gráfica: Patricia Chueke e Phil Canedo
Mídias Digitais: Renato Damião
Equipe de Distribuição: Maurício Borges, Tathyana Genova e Flávia Milagres
Assista aqui o trailer do documentário "As Cartas Psicografadas por Chico Xavier":
FONTE: Site oficial do filme
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
A psicografia de Chico Xavier em dois casos notórios
A vida de Chico Xavier foi marcada por acontecimentos polêmicos e, para muitos, inacreditáveis. Suas psicografias não eram assinadas apenas por renomados escritores e poetas já falecidos, mas também por gente que buscava, por meio de relatos além-túmulo, esclarecer acontecimentos ocorridos na Terra.Alguns desses relatos foram levados em conta em tribunais de Justiça, marcando a história do País. Foi o que aconteceu em Goiânia, em maio de 1976. Uma mensagem psicografada por Chico Xavier, assinada por uma pessoa morta, foi utilizada pela primeira vez como prova para inocentar um réu.
Tudo começou quando a família de Maurício Garcez Henrique, morto aos 16 anos, foi ao encontro de Chico Xavier, a pedido do médium. Chico havia recebido uma carta do jovem na qual Maurício contava que a sua morte havia sido acidental. Na carta, Maurício contou que ele e o amigo José Divino Nunes – acusado de assassiná-lo – estavam brincando quando a arma disparou.
Os pais de Maurício ficaram impressionados, mas comprovaram a legitimidade da mensagem, que foi anexada às provas do processo. Em 16 de julho de 1979, o juiz Orimar de Bastos proferiu a sentença, inocentando José Divino Nunes, de 18 anos: “Temos de dar credibilidade à mensagem de Chico Xavier, apesar de a Justiça ainda não ter merecido nada igual, em que a própria vítima, após a sua morte, vem revelar e fornecer dados ao julgador para sentenciar”, lê-se na sentença do juiz.
Assassinato – A repercussão do fato na imprensa foi enorme, inclusive no exterior. Em 1982, o médium se envolveu em um episódio ainda mais polêmico: o assassinato do deputado federal Heitor de Alencar Furtado, filho de Alencar Furtado, ex-líder do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), cassado pelo AI-5. O policial José Aparecido Branco era acusado do crime. Mais uma vez, a habilidade mediúnica de Chico Xavier foi utilizada como recurso para esclarecer um crime.
Mensagens psicografadas por Chico e assinadas pelo deputado morto contavam como se desenrolou a morte e sustentavam que tudo tinha sido um acidente. A letra, assinatura e informações trazidas nas mensagens foram reconhecidas pelo pai de Heitor e anexadas aos autos do processo.
Em 1984, depois de mais de 30 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Mandaguari absolveu o policial. O promotor de justiça da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Davi Gallo Barouh, explica que a legislação processual brasileira não admite provas consideradas subjetivas, não-materiais, a exemplo das psicografias, que “nada mais são do que uma nova versão dos fatos, narrada pelo espírito de alguém que já morreu”, como definiu.
No entanto, Barouh destaca que, em casos como os que Chico Xavier esteve envolvido, as psicografias foram adicionadas a outras provas e testemunhos. “As mensagens psicografadas podem servir como mais um elemento no acervo probatório e, se cruzadas com outros elementos concretos, podem, sim, auxiliar na resolução de processos penais”, conclui o promotor Davi Gallo Barouh.
domingo, 29 de agosto de 2010
As cartas de Chico Xavier nos tribunais: quatro casos de repercussão internacional
Psicografia como meio de prova documental
De acordo com Weimar Muniz de Oliveira, Presidente da Federação Espírita de Goiás, a psicografia pode ser definida como "um dom mediúnico pelo qual o médium recebe, por via intuitiva ou mecânica, a mensagem de autoria espiritual"1. Na definição do Dicionário Aurélio, "psicografia é a escrita dos espíritos pela mão do médium"2.
Doutrinariamente, pode-se dizer que "prova" é o "instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência de certos fatos"3.
No processo penal, com exceção das provas concernentes ao estado das pessoas, cuja comprovação obedece às restrições ditadas pela lei civil (CPP, art. 155)4, todos os demais meios de prova tendentes ao esclarecimento da verdade dos fatos são, em tese, plenamente aceitos.
Entenda-se como "meios de prova" os modos ou instrumentos não defesos em lei, capazes de revelar a verdade, dentre eles as provas testemunhal, documental e pericial (CPP, arts. 155-250).
Nesse contexto, cumpre identificar que meio de prova seria aquele que se obtém com a psicografia.
Em linhas gerais e de forma objetiva, pode-se dizer que, na linguagem jurídica, prova pericial é aquela "realizada ou executada por peritos, a fim de que se esclareçam ou se evidenciem certos fatos"5. Por conseguinte, o "espírito" nem o "médium" – considerado este pela doutrina espírita como "o intermediário entre os vivos e a alma dos mortos"6 – podem ser enquadrados na definição de prova pericial.
Nos termos do art. 202 do Código de Processo Penal, "toda pessoa poderá ser testemunha". Trata-se, porém, "da pessoa natural, isto é, o ser humano, homem ou mulher, capaz de direitos e obrigações"7. Daí que os "espíritos" ou "desencarnados" não podem ser, juridicamente, considerados testemunhas.
Já de acordo com o art. 232 do Código de Processo Penal, "consideram-se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares".
A psicografia, por constituir-se manuscrito, pode ser tomada, pela interpretação do citado dispositivo, como sendo documento particular, visto que é "feito ou assinado por particulares" (médium), "sem a interferência de funcionário público no exercício de suas funções"8.
Na esfera penal, tem-se notícia de pelo menos quatro decisões judiciais fundadas em comunicações mediúnicas psicografadas por Francisco Cândido Xavier, de repercussão internacional, e que até hoje geram polêmica no meio jurídico. Cuida-se dos seguintes casos:
a) Dois crimes de homicídio ocorridos em Goiânia (GO): um, no dia 10 de fevereiro de 1976, praticado por João Batista França contra Henrique Emmanuel Gregoris; o outro, no dia 8 de maio de 1976, cometido por José Divino Gomes contra Maurício Garcez Henriques, em que os autores do delito foram absolvidos.
b) Um crime de homicídio havido no Mato Grosso do Sul no dia 1º de março de 1980, praticado por José Francisco Marcondes de Deus contra a sua esposa Gleide Maria Dutra de Deus, ex-miss Campo Grande. João de Deus, condenado por homicídio culposo, teve sua pena prescrita.
c) Um crime de homicídio perpetrado na localidade de Mandaguari (PR), no dia 21 de outubro de 1982, pelo soldado da Polícia Militar Aparecido Andrade Branco, vulgo "Branquinho", contra o então deputado federal Heitor Cavalcante de Alencar Furtado. Neste, embora admitida como prova a mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, na qual o espírito da vítima inocentava o réu pelo tiro que deste recebera, o Tribunal do Júri, por cinco votos a dois, considerou-o culpado, tendo o Juiz de Direito, Miguel Tomás Pessoa, fixado a condenação em oito anos e vinte dias de reclusão.
Recentemente (maio/2006), a imprensa nacional noticiou que, na cidade de Viamão (RS), o Tribunal do Júri absolveu Lara Marques Barcelos, acusada de mandar matar o tabelião Ercy da Silva Cardoso, executado dentro de casa com dois tiros na cabeça na noite do dia 1º de julho de 2003, em face de uma carta emitida pela vítima, pelas mãos do médium Jorge José Santa Maria da Sociedade Beneficente Espírita Amor e Luz9.
(...)
Leia o artigo na íntegra no site "Jus Navigandi".
domingo, 20 de junho de 2010
A psicografia como meio de prova
Alaide Barbosa dos Santos FilhaBacharel pela Universidade São Francisco/SP,Colaboradora Revista Fonte do Direito.Notas:1) Publicado na Revista Fonte do Direito, Ano I, n. 1, Mar./Abr.
2010, p. 57.2) Para ver a Revista na íntegra acesse: http://www.fontedodireito.com.br/rfd/FD01-marabr2010.pdf
Introdução
A cinebiografia do médium Chico Xavier, lançada no início de abril, já possui uma das maiores bilheterias da história do cinema nacional desde 1995, nos três primeiros dias de exibição, traz como pano de fundo um acontecimento inédito na Justiça brasileira e que até hoje causa polêmica: uma carta psicografada pelo médium Chico Xavier serviu de prova para inocentar um acusado de assassinar seu amigo de infância.
Outras cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier também serviram de prova para inocentar outros dois acusados de assassinato. As cartas dos mortos, psicografadas pelo médium, foram admitidas como prova de inocência nos julgamentos. Nos três casos, as mortes foram, segundo os acusados e as cartas, não intencionais. O médium mineiro Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, morreu em 2002 e é considerado um dos lideres religiosos mais influentes do país.
Mais recentemente, tais cartas passaram a servir de material de estudo para a pesquisadora Cintia Alves da Silva, formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e estudiosa na área de Semiótica e Análise do Discurso. Segundo escreveu ela em seu blog As Cartas de Chico Xavier, o trabalho do médium suscita inúmeras questões: "algumas questões se fazem inevitáveis: o que fez a justiça ter aceitado as cartas recebidas por Chico Xavier? Em quais elementos os juízes dos casos se basearam para inocentar os réus? O que, nessas cartas, foi determinante para que a inocência dos réus fosse sentenciada? Quais critérios foram adotados pelos dois juízes em situações que beiraram o nonsense da jurisdição? Aliás, há razões para supor que haveria qualquer coerência, ainda que interna a esses textos-cartas, que pudesse merecer a atenção da justiça? O que, nessas comunicações, levou a justiça brasileira a adotar cartas recebidas por via mediúnica como meio de prova no tribunal do júri?"
Nossa intenção aqui é aprofundar um pouco o estudo acerca deste tema tão controverso e polêmico: a psicografia como meio de prova.
LEIA O ARTIGO COMPLETO na Revista Fonte do Direito:
http://www.fontedodireito.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=542&Itemid=12
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Antes e depois de Chico Xavier
O historiador Artur Cesar Isaia fala sobre a popularidade de Chico Xavier e a incrível adesão ao espiritismo no Brasil
Vivi Fernandes de Lima
O IBGE garante: 2,3 milhões de brasileiros são espíritas. Pelo menos esse foi o número de pessoas que se declararam adeptas da doutrina no censo mais recente. A bilheteria do filme “Chico Xavier” comprova que o interesse pelo espiritismo é grande: já levou mais de 2 milhões de pessoas aos cinemas em três semanas.
Na RHBN de maio, o texto “Fenômeno eterno” apresenta alguns dos lançamentos ligados ao tema e o quanto as publicações de Allan Kardec (1804-1869) já faziam sucesso no Brasil do século XIX. Nesta breve entrevista, o historiador Artur Cesar Isaia, da Universidade Federal de Santa Catarina, fala um pouco sobre as conquistas e os percalços do espiritismo no país.
A fama de Chico Xavier começou com a publicação de seus livros?
A projeção de Chico Xavier no cenário nacional ganhou impulso com a publicação de Parnaso de além túmulo. Sem dúvida, seu aparecimento polêmico nos anos 1930 e as reedições sucessivas demonstram a importância que o médium passou a ter no cenário religioso e editorial brasileiro. Trata-se de um fenômeno não apenas nacional e que conseguiu extrapolar o movimento espírita, firmando-se como um bem simbólico aceito por diferentes segmentos sociais e denominações religiosas.
O espiritismo chegou a ser associado à doença mental. Chico Xavier foi considerado um doente mental?
Com certeza, à época em que Chico Xavier apareceu no campo editorial e religioso, boa parte da medicina psiquiátrica defendia a idéia de que os médiuns espíritas eram doentes mentais e que o espiritismo era uma "forja de loucos". Mas não havia um consenso entre os médicos quanto à modalidade desta doença. Por exemplo, discutia-se se ela era causada única e exclusivamente pelo espiritismo ou se este apenas servia de desencadeador de uma pré-disposição patológica. Estas eram apenas algumas das possíveis teses que circulavam entre o meio médico brasileiro para associar o espiritismo e, particularmente, os médiuns espíritas à doença mental. Para se ter uma idéia, podemos citar o caso de Henrique Belford Roxo, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Na década de 1920, ele propôs uma campanha nacional para "extirpar-se" o que julgava ser as causas principais que incapacitavam física e mentalmente os brasileiros: a sífilis, o alcoolismo e o espiritismo.
O filme Chico Xavier já é um sucesso de público. No segundo semestre, será lançado o longa-metragem Nosso Lar, baseado na obra do médium. As livrarias têm diversos títulos sobre ele. O que fez de Chico Xavier uma personalidade tão carismática?
Penso que a aceitação que a figura de Chico Xavier teve e tem entre os brasileiros não está ligada apenas a seu sucesso editorial. Sem dúvida, muito antes do fenômeno Chico Xavier já havia no Brasil um caldo de cultura propício, valorizador do contato entre vivos e mortos. Diversas fontes históricas acenam para a familiaridade com os espíritos em diversas regiões do país, mesmo fora do espiritismo. Os livros tornaram-no bastante conhecido, mas não explicam totalmente o fenômeno. Este prévio "caldo de cultura" no qual se diluíam as fronteiras do visível e do invisível, da vida e da morte, sem dúvida colaborou para que Chico Xavier fosse rapidamente adotado como um bem simbólico entre os brasileiros. Alguns autores como Bernardo Lewgoy e Sandra Stoll sustentam, inclusive a extrema familiaridade da figura de Chico Xavier com valores muito próximos da santidade católica, valores que colaboraram na construção de uma biografia marcada pela renúncia aos bens materiais, pelo celibato e pela assistência social.
A Igreja Católica combatia o espiritismo no início do século XX? E hoje?
Depois do Concílio Vaticano II, a Igreja Católica modificou muito o seu discurso frente às demais religiões. O Concílio enfatizou bem mais aquilo que poderia unir os católicos aos não-católicos, empalidecendo as diferenças. Mas em relação ao espiritismo, persiste uma diferença básica em relação ao catolicismo: a idéia de reencarnação espírita, que se opõe aos chamados novíssimos ensinados pela Igreja (a morte, o juízo, o paraíso e o inferno). Outra coisa, completamente diferente, são as relações vividas. No Brasil, no âmbito dos estudos da História, da Sociologia e da Antropologia, há uma tendência muito grande de a população viver um catolicismo capaz de efetuar composições inusitadas pela teologia. O mesmo acontece com relação ao espiritismo. Pesquisa realizada pelo Datafolha em 2007 ilustra muito bem essa tendência dos brasileiros em extrapolarem as fronteiras doutrinárias de suas convicções religiosas, misturando crenças de forma livre: um número expressivo de católicos acreditava em reencarnação e, igualmente, um número expressivo de espíritas acreditavam em milagres, o que contradiz a obra de codificação espírita feita por Kardec.
Como esse tema é tratado hoje pela academia? Há muitos pesquisadores dedicados ao assunto?
Nas chamadas Ciências Humanas, hoje o tema é mais freqüente na pesquisa acadêmica que há décadas atrás. Tanto como objeto de teses e dissertações, quanto como assunto debatido em reuniões científicas. Penso que isso é um sintoma claro de uma abertura do meio acadêmico a uma realidade extremamente importante para a compreensão da tessitura sócio-cultural brasileira.
FONTE: Revista de História da Biblioteca Nacional - 27/04/2010
domingo, 18 de abril de 2010
Esclarecimento sobre pesquisa de "A Vida Triunfa"
Com relação às informações contidas na matéria publicada na edição número 277, de abril / 2010, da revista Superinteressante, que podem, por conta de testemunho, colocar em dúvida a autenticidade das mensagens psicografadas por Chico Xavier, o autor do livro A Vida Triunfa, Paulo Rossi Severino, e a presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo, à época, Dra Marlene Rossi Severino Nobre, responsável pela pesquisa, esclarecem que o médium Chico Xavier atendia 60 pessoas, das 14h às 18h, em Uberaba (MG), dispondo, portanto, de quatro minutos, em média, para cada consulente. Este tipo de atendimento passou a ser feito dessa forma, depois da participação do médium no primeiro programa “Pinga-Fogo”, na extinta TV Tupi, em julho de 1971, e se estendeu por cerca de 20 anos, quando o médium teve que interromper o atendimento por longos períodos em virtude de problemas de saúde.Devido à escassez do tempo de consulta e ao grande número de pessoas a serem atendidas, somente em alguns casos o médium tinha necessidade de conversar um pouco mais com a família, estendendo a entrevista para além dos quatro minutos. Em geral, esse tempo maior era concedido pelo próprio médium, não para obter mais informações da família quanto às circunstâncias da morte, mas para fornecer às mães desalentadas dados que lhe eram revelados naqueles instantes de entrevista por espíritos familiares, ali presentes, que vinham consolá-las e que eram, em sua maioria, desconhecidos do próprio médium.
Conforme consta do capítulo terceiro do livro, “cada entrevista tinha a duração de cinco a dez minutos, tempo exíguo, mas suficiente para que o entrevistado declarasse seu nome e o da pessoa falecida, e, eventualmente, fizesse algum rápido comentário”. Em alguns casos, revela a pesquisa, “durante o breve encontro, o sensitivo registrava a presença, através da clarividência, de parentes falecidos, citando seus nomes ou referindo-se a um fato qualquer relativo ao desenlace ou a problema familiar”.
De qualquer forma, não foram poucos os casos em que pessoas receberam mensagens mesmo sem terem passado por entrevista com o médium. Além de A Vida Triunfa, da Editora FE, há cerca de 130 livros publicados com as mensagens que Chico Xavier recebeu, dirigidas aos que perderam seus entes queridos. É um farto material para aqueles que queiram conhecer histórias autênticas.
Paulo Rossi Severino, autor, e Marlene Rossi Severino Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo, em 1990, hoje presidente das associações médico-espíritas do Brasil e Internacional, e uma das autoras da pesquisa computadorizada. 16 de abril de 2010.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
As cartas "consoladoras"
100 anos de Chico Xavier: Amigo do médium fala sobre ajuda da psicografia
A morte é e continua sendo um dos maiores mistérios da humanidade. A dor da perda de um ente querido faz as pessoas apelarem para vários caminhos e a psicografia foi a forma de ajuda a este problema mais popularizada por Chico Xavier. Seguindo os princípios da doutrina espírita, o médium dizia receber mensagens de pessoas mortas, ou desencarnadas, como preferia dizer, para seus parentes e amigos.
E, em alguns casos, não se tratava de apenas uma carta, mas sim de várias. No caso de William Machado de Figueiredo, que faleceu em 1941, foram exatamente 33, a maioria destinada a sua mãe, Adélia Machado de Figueiredo. Amiga próxima de Chico Xavier, ela usou as cartas psicografadas como força para continuar vivendo após a perda do filho.
"Minha tia-avó teve uma vida muito difícil. Ela teve que criar os filhos sozinha, porque seu marido morreu e as cartas que ela recebia de William através de Chico foram o bastão que ela usou para seguir vivendo e enfrentando a dor. Lembro que ele tinha o costume de colher flores no túmulo de William e mandar cartas para minha tia-avó com palavras de conforto e uma flor junto", conta Geraldo Lemos Neto, dono da Casa de Chico Xavier, centro cultural localizado na residência onde o médium viveu durante alguns anos em Pedro Leopoldo, no interior de Minas Gerais.
Após a morte da sua tia-avó, em 1982, Geraldo decidiu fazer um livro com uma coletânea de todas as cartas que recebem de William. Como Adélia viveu apoiada nessas mensagens, ele decidiu dar à obra o nome de "Bastão de Arrimo". Lançada em 1984, ela reúne todas as 33 cartas e deve ganhar uma reedição neste ano por conta do centenário do médium.
Emoção em caravanas
Frequentador e membro da "Casa da Prece", centro espírita onde Chico Xavier atendia em Uberaba, Geraldo lembra que multidões compareciam ao local quando o médium participava das sessões de psicografia. Sempre em busca de amparo, as famílias se amontoavam dentro e fora do centro espírita aguardando um alento, por menor que fosse, de um ente querido morto.
"A casa era muito pequena, mas apareciam ônibus de todos os lugares do Brasil. A maioria das pessoas acabava ficando do lado de fora, recebíamos em média umas 500 por sessão. Lembro da emoção de quem recebia uma carta daquelas, da maneira como olhavam para o Chico Xavier", explica Geraldo.
"Lembro que, na maioria das vezes, as cartas eram para pessoas que estavam do lado de fora do centro. As cartas do Chico sempre tinham um remetente e um destinatário. Então íamos gritando o nome pela multidão, ‘carta de cicrano para fulano’, até acharmos para quem era a mensagem. Era impressionante ver a emoção daquelas pessoas", lembra.
Fonte: site Sidney Resende, por Jorge Lourenço.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Curiosidades sobre a produção psicográfica de Chico Xavier
Em minhas buscas por dados quantitativos sobre a obra de Chico Xavier, cheguei ao site dedicado ao seu centenário, produzido pela Federação Espírita Brasileira - FEB.
Na biografia publicada no site, é possível ressaltar algumas curiosidades, que demonstram a singularidade da produção psicográfica do médium:
No ano de 1952, Chico psicografou 2 livros, em 2 dias: Roteiro, de Emmanuel, com 172 páginas e Pai Nosso, de Meimei, com 104 páginas.
No ano de 1963, Chico psicografou 2 livros, em 2 dias: Opinião Espírita, com 204 páginas e Sexo e Destino, com 360 páginas.
No dia 31 de março de 1969 [...], Chico psicografou 2 livros, no mesmo dia: Passos da Vida, com 156 páginas e Estante da Vida, com 184 páginas.
Chico é apontado como fenômeno na aceitação do leitor. Dos dez melhores livros do século, em pesquisa realizada por órgãos da imprensa espírita, sete são da psicografia do Chico. O primeiro lugar coube ao livro Nosso Lar, na 48ª edição, com mais de 1.200 milheiros de exemplares editados.
Fatos como esses somam-se a uma obra de mais de 450 títulos e uma vendagem estimada em 50 milhões de exemplares. Esses números me intrigam... Como ignorar a necessidade de se compreender um objeto (o texto psicográfico, em seus diversos gêneros) que gera um impacto editorial e cultural tão representativo em nosso país?
Referência: http://www.100anoschicoxavier.com.br/paginas/biografia.html
sábado, 27 de março de 2010
Especial 100 anos de Chico Xavier
Assista o Globo Reporter Especial 100 anos de Chico Xavier (4 partes) no YouTube:
Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=ZDSPiBRsU30
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=F-PYd6Hfouw
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=lMNbWueyNp8
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=Xo3yGBHgFP0
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Folha Ilustrada
Centenário de nascimento de Chico Xavier, em 2 de abril, motiva onda de filmes sobre tema
O ator Nelson Xavier vive o líder espiritual Chico Xavier no filme de Daniel Filho
DA REPORTAGEM LOCAL
No mercado livreiro brasileiro, fez-se o milagre da multiplicação. De acordo com a última pesquisa publicada pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), o segmento de títulos religiosos, estimado em 50 milhões de exemplares anuais, é, em faturamento, o que mais cresce no país. Nos primeiros lugares dessa fila estão obras espíritas.No cinema nacional, o santo é outro. Mas o milagre é o mesmo. Daniel Filho, em 2009, vendeu 5,6 milhões de ingressos com "Se Eu Fosse Você 2", que só perde em rentabilidade para a avalanche "Titanic".E eis que os números da fé e do cinema se cruzam. Chico Xavier, o líder espiritual que psicografou mais de 400 livros e, se medido pela régua do mercado, poderia ser considerado autor best-seller, tornou-se filme pelas mãos de Daniel Filho.Guardado a sete chaves até aqui, "Chico Xavier" dá início a sua jornada rumo ao público empurrado pela máquina da GloboFilmes e da Sony Pictures. A campanha começou na TV e, a partir da semana que vem, ocupará cinemas, outdoors, ônibus etc. O filme chegará a mais de 300 salas numa data que nada tem de "mera coincidência": 2 de abril, centenário de nascimento de Xavier e Sexta-feira da Paixão. E não é só. Outros seis filmes espíritas estão a caminho.
Filme busca os não espíritas
Na opinião de produtores, filão de filmes ligados ao sobrenatural nunca foi bem explorado no país
Dificuldades na escolha do diretor e na conclusão do roteiro fizeram com que "Chico Xavier" levasse seis anos para chegar às telas
DA REPORTAGEM LOCAL
Os produtores de "Chico Xavier" repetem, feito mantra, que não fizeram um filme espírita. "Tomei cuidado para que não fosse doutrinário", diz o diretor Daniel Filho. "O filme, antes de qualquer denominação que possa segmentá-lo, é uma cinebiografia de uma das personalidades mais conhecidas e queridas dos brasileiros. Foi feito para ser visto por todos que gostam de uma belíssima história de vida", emenda Carlos Eduardo Rodrigues, diretor da GloboFilmes. Daniel Filho diz, inclusive, que buscou colocar no roteiro todas as perguntas que ele próprio, não espírita, faz a si.Mas, intenções à parte, "Chico Xavier", construído sob uma atmosfera de fé e marcado pela adesão emocional ao personagem, é um filme que requer, do espectador, um pacto que passa pela crença. Das cartas enviadas pelos desencarnados - a palavra morte não é utilizada - às aparições do espírito do médico Bezerra de Menezes são muitas as cenas retocadas pelo sobrenatural.Os fios da história são puxados a partir da entrevista que Xavier, morto em 2002, aos 92 anos, concedeu ao programa "Pinga Fogo", da TV Tupi. O vaivém no tempo abarca três fases: infância (Matheus Costa), início da vida adulta (Ângelo Antônio) e maturidade (Nelson Xavier).Esse projeto era acalentado desde 2004, quando o distribuidor Bruno Wainer comprou os direitos da biografia "As Vidas de Chico Xavier", de Marcel Souto Maior. Conseguiu, rapidamente, a adesão da GloboFilmes e da Sony. Mas faltava ao filme uma alma. Ou duas: roteiro e diretor. "Por divergências de visão, não chegávamos a um acordo sobre o diretor", conta Wainer. Nome vai, nome vem, chegou-se a Daniel Filho, até então apenas produtor. Com essa solução teve início outro problema: o roteiro. Foram tantas as versões que até um thriller surgiu."Tentei fazer com que tivesse o tom do livro. O filme tem o ponto de vista do Chico, quando ele conta o que apenas ele via, ouvia e sentia", diz Filho. É esse ponto de vista que, esperam os produtores, pode garantir ao filme um público mais amplo. "O filme do padre Marcelo ["Maria, Mãe do Filho de Deus"] tinha um aspecto doutrinário. "Chico" não tem", compara Braga, da Sony.O interesse da distribuidora hollywoodiana no projeto é, digamos, anterior ao próprio projeto. "Os livros religiosos são tão bem vendidos que sempre me perguntei por que não viravam filme."A prova de que esse filão adormecido tinha potencial veio com "Bezerra de Menezes" que, lançado sem alarde, fez quase 500 mil espectadores. Mas será que quem rejeita o espiritismo verá "Chico Xavier"? "Não sei", responde Braga. O executivo assinala, no entanto, que filmes "sobrenaturais" costumam fazer sucesso no Brasil. "Filmes como "Ghost" e "O Sexto Sentido" fizeram especial sucesso aqui."Atrás do público que, mais do que ao cinema, costuma ir à barraquinha do camelô, o filme não só terá sessões especiais em Uberaba (MG), onde fica o museu Chico Xavier, e Pedro Leopoldo (MG) sua cidade natal, como aproveitará as frestas abertas pelo centenário do personagem. Só a GloboNews tem quatro programas sobre Xavier previstos para março. É o mais famoso médium brasileiro chegando à era da "convergência". (ANA PAULA SOUSA)
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Folha de S.Paulo, 26/2/2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
"Chico Xavier", o filme (2010)
Trailer oficial de "Chico Xavier", o filme (2010).
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Psicografia ou Produto do Inconsciente?
Trecho do programa Pinga Fogo, transmitido em 1971.
domingo, 23 de agosto de 2009
Quatro filmes marcarão o centenário de Chico Xavier
Em comemoração ao centenário de Chico Xavier, em 2 de Abril de 2010, estão previstos lançamentos de quatro filmes sobre a vida e a obra do médium mineiro.O documentário “As Cartas”, dirigido por Cristiana Grumbach, está em etapa de finalização. “As Cartas” traz entrevistas com pessoas que receberam cartas psicografadas por Chico e contam sobre suas experiências.
Sob direção de Daniel Filho, o longa metragem “Chico Xavier” está com a produção em fase avançada e é baseado em biografias como a do jornalista Marcel Souto Maior, que escreveu “As vidas de Chico Xavier”.
Baseado no romance espírita que já teve mais de dois milhões de exemplares vendidos, o filme “Nosso Lar” será adaptado por Wagner Luís, da produtora Cinética Filmes, e distribuído pela Fox Filmes.
O centenário de Chico Xavier promete comemorações memoráveis e impulsiona ainda mais o gênero “filme espírita” no Brasil.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
As cartas de Chico Xavier: um relato de pesquisa.
Este é um registro de impressões sobre o meu projeto de pesquisa.
Minha intenção é relatar aqui algumas reflexões e eventos ocorridos em torno do estudo das cartas familiares, psicografadas por Chico Xavier, e que são objeto da pesquisa que venho desenvolvendo desde Outubro de 2008.
As cartas de Chico Xavier são polêmicas e despertaram o interesse dos que perderam seus entes queridos, dos espíritas e, curiosamente, da Justiça brasileira, a única no mundo a registrar três casos de absolvição em acusações de homicídio, nos quais as cartas foram utilizadas como meio de prova.
Uma das ocasiões determinantes para que eu me interessasse por estudar o caso Chico Xavier foi quando eu assistia a um documentário sobre a vida do médium - “Chico Xavier Inédito: de Pedro Leopoldo a Uberaba” - no qual a Dra. Marlene Nobre falava sobre uma análise feita pela AME-SP (Associação Médico-Espírita do Estado de São Paulo), nos anos 70. A equipe da AME, coordenada por Paulo Severino Rossi, analisou mais de 200 cartas psicografadas pelo médium, num estudo estatístico que comparava dados citados nas comunicações psicografadas com aqueles presentes em questionários preenchidos pelas famílias dos mortos. No documentário, Dra. Marlene mostrava os resultados e punha o material à disposição de quem quisesse investigar o assunto. Esse estudo foi posteriormente transformado em um livro, nos anos 90. Foi desse comentário que nasceu, oficialmente, a minha curiosidade sobre as cartas de Chico Xavier. Curiosidade esta alimentada por outros materiais com os quais tive contato e, adicionalmente, por minha tendência a enxergar padrões em tudo. Padrões linguísticos, estrutura, estilo, coerência, recorrência, autoria, identidade – palavras que não pararam mais de rondar a minha mente e que têm alimentado a minha investigação desde aquele depoimento, anacronicamente direcionado à minha obsessão por vasculhar, coletar e classificar informações. Em dois meses, verti a idéia em um projeto acadêmico que permitia vazão a várias das minhas tendências: a pesquisa, a linguística, o espiritismo, a psicografia e um gosto mórbido por enigmas. Tudo isso entremeado à vida de uma das figuras mais marcantes da história de nosso país. O brasileiro do século, Chico Xavier. E uma pergunta em minha mente: como a ciência pode explicar esse fenômeno?
Esse nome tem me despertado curiosidade, euforia, respeito, admiração e, por vezes, um temor inexplicável. Não temo pelo Chico. Temo por a sua figura, a figura construída pela mídia, pela memória e pelo imaginário do povo. Sei que devo me afastar do fascínio exercido por sua imagem. É uma exigência do método, do rigor científico. Não posso, entretanto, me afastar com leviandade, exatamente por saber da importância de sua história. É preciso encontrar a isenção necessária. A justa medida.




