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domingo, 20 de junho de 2010

A psicografia como meio de prova

Alaide Barbosa dos Santos Filha
Bacharel pela Universidade São Francisco/SP,
Colaboradora Revista Fonte do Direito.

Notas:
1) Publicado na Revista Fonte do Direito, Ano I, n. 1, Mar./Abr.
2010, p. 57.
2) Para ver a Revista na íntegra acesse: http://www.fontedodireito.com.br/rfd/FD01-marabr2010.pdf

Introdução

A cinebiografia do médium Chico Xavier, lançada no início de abril, já possui uma das maiores bilheterias da história do cinema nacional desde 1995, nos três primeiros dias de exibição, traz como pano de fundo um acontecimento inédito na Justiça brasileira e que até hoje causa polêmica: uma carta psicografada pelo médium Chico Xavier serviu de prova para inocentar um acusado de assassinar seu amigo de infância.

Outras cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier também serviram de prova para inocentar outros dois acusados de assassinato. As cartas dos mortos, psicografadas pelo médium, foram admitidas como prova de inocência nos julgamentos. Nos três casos, as mortes foram, segundo os acusados e as cartas, não intencionais. O médium mineiro Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, morreu em 2002 e é considerado um dos lideres religiosos mais influentes do país.

Mais recentemente, tais cartas passaram a servir de material de estudo para a pesquisadora Cintia Alves da Silva, formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e estudiosa na área de Semiótica e Análise do Discurso. Segundo escreveu ela em seu blog As Cartas de Chico Xavier, o trabalho do médium suscita inúmeras questões: "algumas questões se fazem inevitáveis: o que fez a justiça ter aceitado as cartas recebidas por Chico Xavier? Em quais elementos os juízes dos casos se basearam para inocentar os réus? O que, nessas cartas, foi determinante para que a inocência dos réus fosse sentenciada? Quais critérios foram adotados pelos dois juízes em situações que beiraram o nonsense da jurisdição? Aliás, há razões para supor que haveria qualquer coerência, ainda que interna a esses textos-cartas, que pudesse merecer a atenção da justiça? O que, nessas comunicações, levou a justiça brasileira a adotar cartas recebidas por via mediúnica como meio de prova no tribunal do júri?"

Nossa intenção aqui é aprofundar um pouco o estudo acerca deste tema tão controverso e polêmico: a psicografia como meio de prova.


LEIA O ARTIGO COMPLETO na Revista Fonte do Direito:
http://www.fontedodireito.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=542&Itemid=12

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Mais uma faísca sobre a problemática do sujeito


Ontem terminei de escrever o meu primeiro artigo acadêmico sobre o caso das cartas de Chico Xavier. Foi um mergulho teórico muito raso, do qual salvou-se somente a ideia, a ser explorada numa “parte II”, iniciada nesse mesmo dia. E sem maiores problematizações, por questões de tempo e espaço (não é fácil limitar a discussão a poucas páginas, uma exigência da disciplina para a qual eu devia entregá-lo, como avaliação final).

Um embrião de artigo (como chamá-lo de outra forma?), que se detém unicamente ao início de uma discussão provavelmente interminável: o que é o sujeito? Mas, mais do que isso, o que é o sujeito em uma carta psicografada?

Os textos psicografados, e especialmente os do gênero carta (carta familiar/psicografada), subvertem várias concepções clássicas nos estudos linguísticos e nas humanidades, como um todo: sujeito, autor, identidade, e seus desdobramentos todos. Sei que o sujeito é um problema eterno, tão complexo e contraditório como qualquer construto humano e, sobretudo, como o próprio ser humano.

Não há meios, e nem tenho a pretensão, de chegar a uma solução completa e definitiva sobre isso. Quero é pensar a respeito, por o assunto em pauta... enfim, jogar uma faísca na discussão. Isso não é querer ver o circo pegar fogo. É desestabilizar para encontrar causas possíveis das oscilações discretas, que teimam em perturbar, silenciosamente, a calmaria das coisas falsamente estáveis. Que melhor receita há para exercitar o raciocínio e quebrar um pouco do nosso tédio existencial essencial?