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segunda-feira, 20 de maio de 2013

LIVRO "As cartas de Chico Xavier: Uma análise semiótica" ( Cintia Alves da Silva )


Sinopse
O objetivo central deste livro foi tentar compreender, com auxílio de métodos semióticos, o processo de construção das autorias espirituais nas cartas "familiares" ou "consoladoras" escritas - ou psicografadas - pelo médium Chico Xavier. A autora procura detectar sinais de coerência nessas autorias ao longo do tempo, e em que medida elas apresentam marcas de autonomia ou individualidade que permitam distingui-las umas das outras.

O córpus analisado é composto de dez cartas psicografadas publicadas entre 1973 e 1980 e atribuídas a três autores: Augusto César Netto, Jair Presente e Laurinho Basile. Como pano de fundo, a autora põe em xeque uma ideia bastante comum entre os espíritas adeptos de Xavier, a de que a escrita do médium seria tão fiel ao estilo dos espíritos por ele psicografados que se poderia até reconhecer as expressões e formatos verbais que eles supostamente utilizavam em vida.

O trabalho também buscou caracterizar as cartas psicográficas como um tipo particular de texto, que se diferencia dos textos epistolares tradicionais. Para a autora, além de se configurarem como gênero editorial específico, as cartas psicografadas são escritas de modo tão peculiar que ultrapassam o contexto do Espiritismo, avançando por vezes para os terrenos da literatura e do memorialismo.

Título: As cartas de Chico Xavier: Uma análise semiótica
Autora: SILVA, Cintia Alves da
ISBN: 9788579833656
Assunto: Linguística
Formato: 14 x 21
Páginas: 212
Edição: 1ª
Ano: 2012

Faça o DOWNLOAD GRATUITO do livro no site da editora Cultura Acadêmica:
http://www.culturaacademica.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=299


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Carta de Roberto Muszkat

Querida Mãezinha Sonia, meu querido Pai e irmãos sempre amados, a Bênção da Paz permaneça conosco.
Estou emocionado. Uma festa diferente num ambiente novo. Celebração dos vinte novembros na Terra. Não sei como escrever o que sinto. Ficaria contente se pudesse usar minhas próprias lágrimas de alegria para configurarem palavras o júbilo de que me sinto possuído.
Pais queridos, nunca imaginei, em minha existência ligeira, pudesse comemorar o primeiro aniversário de minha permanência no Plano Físico, depois de haver passado pela chamada "liberação do corpo" (1). Agradeço o carinho que colocaram em nossas lembranças.
A Mãezinha Sonia, para a nossa felicidade tomou a veste branca, após o luto de tantos meses de saudade e quase desolação. Os irmãos esvaziaram as poupanças para me presentearem na pessoa de nossos companheiros menos felizes (2). E o Céu, segundo esperamos, nos proporcionará no entardecer de amanhã uma festa brilhante, de corações para corações, como nunca pensei conseguir presenciar.
Dizer "muito obrigado" é tão pouco, no entanto, querido pai, o que fazer senão aproveitar os recursos que se tem para manifestar os nossos melhores sentimentos?
Desejava ser eu mesmo a dádiva de paz e fraternidade a ser entregue, a fim de louvarmos não a minha memória pessoal e, sim, o Eterno Doador de Tudo o que possuímos.
Não me descarto da nossa alegria e, por isso, aspiro a dizer que todas essas bênçãos pertencem à Sabedoria do Amor Infinito que nos reuniu para sempre nos laços benditos da comunhão espiritual em que nos reconhecemos.
Querida Rachel, queridos irmãos Moises, Renato e Ricardo, conservando igualmente a Rosana por flor de carinho a enfeitar-nos as lembranças, agradeço a vocês todos, irmãos queridos, pela felicidade que me ofertam e pelas mensagens de ternura que me dirigiram.
Espero que nossos pais sempre queridos se orgulhem de nós, no desempenho de nossos deveres, através do tempo e da Vida. É verdade que a Lei me transferiu de residência, mas não me alterou os sentimentos. Sou o mesmo irmão amigo e reconhecido que lhes deve tanto.
Aos pais amados, o nosso reconhecimento por nos haverem recolhido nos braços, habilitando-nos para viver segundo os preceitos da Luz Divina que nos regem a existência.
Mãezinha querida, agradeço a sua fé, o seu entusiasmo na construção do bem, a sua confiança na Espiritualidade e o seu dom de servir, tão claramente manifesto, na preparação da alegria que me reservaram.
Estou feliz e formulo votos para que a nossa plenitude de paz doméstica consiga envolver todos os ingredientes do nosso encontro com a família maior, junto da qual nos reconheceremos cada vez mais integrados em nossos compromissor de fidelidade ao Santo dos Santos.
Papai querido, estou satisfeito e comovido com a sua presença. Conheço a extensão de suas responsabilidades e obrigações e sei quanto vale cada hora de sua presença, especialmente junto de nossos doentes, pedaços da família espiritual que os Mensageiros do Bem Eterno colocaram em nossos braços.
Beijo-lhe as mãos reconhecidamente e faço preces do coração por sua tranqüilidade e segurança.
Conversei com a Mãezinha Sonia sobre as minhas primeiras impressões da Vida Espiritual, quando pude tomar do lápis pela primeira vez, entretanto, hoje, com permissão de nossos Mentores Maiores, peço o seu consentimento para contar-lhe que o meu desligamento do corpo foi rápido.
Horas antes, nada previa com relação ao acontecimento significativo que me aguardava. Preparava-me para o descanso depois de haver medicado o trato nasal, quando senti no peito algo semelhante a uma pancada que me alcançou todas as redes nervosas.
Tentei falar mas não consegui. Um torpor suave se seguiu ao fenômeno e notei que um sono compulsivo me invadia a cabeça.
Percebi, intuitivamente que me deslocava do corpo, embora permanecesse vinculado a ele, quando em meio do esforço para definir o que sentia para a análise de meu próprio raciocínio, ouvi nitidamente sobre mim a voz inesquecível de alguém pronunciando as santas palavras: "Baruch Dayan Emet" e reconheci que a frase não partia dos nossos de casa...4)
Busquei identificar-me com a sublime expressão de louvor, mas o torpor aumentava. O frio nas extremidades me compelia a admitir a presença da liberação física e rendi-me aos desígnios do Eterno, tentando seguir o rumo em que a voz se expressara, qual se me houvesse transformado num pássaro ansioso por saber a direção do meu novo ninho, já que não mantinha mais qualquer dúvida sabre a ocorrência que me separava da moradia corpórea, à maneira do inquilino que se vê expulso da própria habitação, atendendo a influências compulsivas; no entanto, entre aquela voz e eu mesmo estava o desmaio que me consumia o discernimento...
Foi quando tomado de estranha sensação de bem-estar, escutei ainda as palavras: "Leshaná Habaá bi-Yerushalayim".5) Compreendi que era um adeus e dormi com a tranqüilidade de uma criança. Mais tarde, soube que o meu avô Moszek Aron ditara em meu favor aqueles vocábulos santos para que me aquietasse, contando com os imperativos do Mais Alto.
Quando acordei, me via num leito alvo com a Vovó Rachel velando por mim. Dias se passaram, sem que eu lhes saiba da conta. Entendi sem relutância que já não mais me encontrava em nossa casa e, sim, numa "outra vida", que se fazia surpresa e deslumbramento para os meus pensamentos de moço.
Depois de algum tempo, o Vovô Moszek veio ao meu encontro. Reanimou-me. Restabeleceu-me o auto-controle e a auto-confiança. Quando me buscou pata encontrar outros amigos no recinto dedicado à oração, no amplo educandário-hospital, chorei de emoção ao observar que formosa turma de pessoas amigas, que eu não conhecia, pronunciava as palavras: "Boi Beshalom". 6) Em seguida, cantaram, esses novos companheiros, o hino Shalom Aleichem. 7)
Terminado o cântico, meu avô Moszek achegou-se a mim e assinalando-me com o "Maguem David" 8) falou, abençoando-me:
- Deus te faça igual a Efraim e a Menashés. 9)
As lágrimas banharam meu rosto, enquanto o avô promovia o Seder 10) em cuja reunião pude fazer muitas perguntas. Vim a saber então que me achava em Erets Israel, ou Terra do Renascimento, cuja beleza é indescritível. 11)
Ali, naquela província do Espaço Terrestre, se erguia uma outra cidade luminosa dos Profetas. Os que choraram no mundo, os que sofreram torturas, os que foram martirizados e queimados, perseguidos e abatidos por amor à Vitória do Eterno e Único Criador da Vida operavam repousando ou descansavam trabalhando pela edificação da Humanidade Nova.
Com estes apontamentos não quero dizer que estava tanto quanto prossigo, numa cidade privilegiada, porque outras nações as possuem nas esferas que cercam o Planeta, mas aquele recanto era o meu coração pulsando com milhares ou milhões de outros corações, consagrados ao Pai Único.   
Pai querido, lembrei-me de nossa união no Lar e chorei de saudade e esperança, amor e alegria. Revisei a imagem da família querida e reunindo o seu carinho, a ternura de minha mãe e a dedicação de meus irmãos por dentro de minha própria alma, enviei-lhes, sem saber como fazia semelhante mensagem, as palavras inolvidáveis de Ruth a Noemi: "Onde fores, também irei, o seu povo será o meu povo, o seu rei será o meu rei".12)
Pelo que digo, são capazes de avaliar as minhas emoções na Vida nova em que me reconheço, começando a estudar e a trabalhar, sob clima diferente do Mundo Físico.
Meu avô Moszek presente aqui me solicita terminar a narrativa do que me aconteceu e acontece. Veio ele, com um amigo de nome Moritz Heiman e, em minha companhia, está o Moyses Zatyrko que saúda os queridos pais, Rosa e Boruch.13)
Desejava prosseguir, mas não posso.
Meu querido pai, muito grato pelo crédito que me concede, fazendo companhia à Mãezinha e aos irmãos queridos para compartilharmos das mesmas alegrias e das mesmas orações. Diz meu avô que amanhã, antes de começar o novo dia do calendário, teremos o nosso "Oneg Shabat" 14) e estamos todos felizes.
Pais queridos e amados irmãos, agradeçam por mim aos amigos que me hospedam neste recinto de paz e recebam todos juntos o abraço de muito carinho e muito amor, com muita esperança no futuro e muita fé em nossas realizações no presente, do filho e irmão reconhecido.
ROBERTO MUSZKAT
16 Novembro 1979

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NOTAS DE DAVID MUSZKAT (pai de Roberto):
1) Desde a partida de Roberto para o Plano Espiritual, seus pais e irmãos comemoram-lhe o aniversário de nascimento em Uberaba, no Hospital do Fogo Selvagem e num dos bairros pobres da cidade, distribuindo mantimentos, roupas e brinquedos. O leitor observará, também, em outras mensagens a importância que Roberto confere a tais comemorações, em função de seu alcance social e de seus exemplos de solidariedade humana, pois beneficiam centenas e centenas de pessoas.
2) Roberto mostra-se reconhecido aos irmãos, que, para participar das festas de luz que os genitores organizam, servem-se de suas poupanças, oferecendo-nos extraordinário exemplo de abnegação e de respeito aos companheiros mais carentes.
3) A mensagem foi recebida no dia do aniversário de Roberto e, às vésperas da comemoração programada em sua homenagem,chovia bastante e sua mãezinha não escondia apreensão ante a perspectiva de chover também no dia seguinte, o que tisnaria o brilho da festa. Roberto captou as preocupações maternas e disso faz referência na mensagem. Felizmente, na tarde do dia seguinte o sol fez-se presente e a reunião festiva fui das mais belas.
4) É da tradição hebraica que como ato final da cerimônia de sepultamento de um familiar, com o corpo presente, os parentes mais diretos façam uma oração que termina com a frase:
- Baruch Dayan Emet - Abençoado seja o juiz verdadeiro ou abençoado seja o juiz da verdade.
Com a mesma frase, Roberto foi recebido pelo avô no Plano Espiritual.
5) Leshaná Habaá bi-Yerushalayim - O ano que vem em Jerusalém.
6) Boi Beshalom - Venha em paz.
7) Shalom Aleichem - Hino que dá as boas vindas aos anjos da paz, cantado na sexta-feira à noite.
8) Maguem David - estrela de David.
9) Deus te faça igual a Efraim e Menashés - irmãos gêmeos, filhos de Jacob. Esta frase é uma tradicional bênção paternal.
10) Seder - a ceia festiva na primeira e na segunda noite da Páscoa judaica. Comemorar o Seder, era hábito muito cultivado pelo avô paterno, antes de falecer.
11) Erets Israel - Terra de Israel.
12 ) Conforme nos fala o Velho Testamento, Noemi tinha dois filhos casados com moças moabitas (não judias) e Ruth era uma delas. Com a morte dos filhos, Noemi retornou a Israel, em companhia de sua nora Ruth que se converteu ao judaísmo, dizendo a Noemi as palavras citadas por Roberto.
13) Provavelmente, Moritz Heiman, amigo de seu avô paterno, ao tempo em que residia na Polônia, nos idos de 1920. Moyses Zatyrko, filho de Rosa e Jaime Boruch Zatyrko, comandante da TAM, conhecida companhia aérea paulista, faleceu em acidente aviatório no dia 8 de fevereiro de 1979, nas proximidades de Bauru (SP). Sua genitora, D. Rosa Zatyrko, se encontrava em Uberaba, quando da recepção desta carta mediúnica.
14) Oneg Shabat - literalmente significa "alegria de sábado" comemoração festiva no dia do descanso, o sábado (Shabat).

XAVIER, Francisco Cândido. Quando se pretende falar da vida. [Espírito Roberto Muszkat]. Coletânea de cartas organizada por David Muszkat. GEEM, 1984.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mãe fala sobre as cartas de Chico Xavier

Célia Diniz descreve as sensações e como encarou a morte e o recebimento de cartas de seus filhos através do médium

Ângela Moraes - Especial para o JC

Aos 10 anos, Rangel voltou ao plano espiritual por um acidente de bicicleta. Aos 27, sua irmã Mariana também, em virtude de dengue hemorrágica. Na Terra, ficou Célia Diniz, vice-diretora hoje do Centro Espírita Luiz Gonzaga [Pedro Leopoldo, MG] e uma das mães que buscaram o alívio nas cartas de Chico, assim como no filme “As mães de Chico Xavier”, na personagem vivida por Vanessa Gerbelli. Em entrevista especial ao Jornal Momento Espírita e Jornal da Cidade, Célia relata o feliz reencontro de seu coração com as palavras irrefutáveis de seu filho, pelas cartas de Chico, bem como a bendita consolação vinda através do conhecimento da realidade espiritual:

JC - Quantas cartas você recebeu de seus filhos?
Célia Diniz -Recebi duas cartas-mensagens do Rangel, através de Chico, a Mariana se foi em 2006.

JC - Antes de recebê-las, você já era espírita?
Célia - Eu já era espírita. Meu pai trabalhava na Fazenda Modelo junto com o Chico e fazia parte da diretoria do Centro Espírita Luiz Gonzaga, fundado pelo Chico em 1927, portanto fui criada numa família espírita.

JC - Quando recebeu a primeira, de quem era? Chegou a duvidar que fosse mesmo de seu (sua) filho(a)? Teve certeza da autoria de que maneira?
Célia - Eu conhecia a excelência da capacidade mediúnica do Chico e não duvidaria de nada. Mesmo assim as mensagens eram permeadas de tantas evidências, que não deixavam margem para incertezas. Traziam apelidos, nome de familiares, de amigos, da ajudante do lar, de parentes desencarnados dos quais nem nos lembrávamos ou sabíamos que existiam; situações do cotidiano familiar, tais como sentimentos mais íntimos, diálogos. Traziam ainda detalhes dos momentos finais do filhinho. Desnecessário dizer que o médium desconhecia tudo isto.

JC - As cartas trouxeram que tipo de sentimento, compreensão, a você? Ajudaram a superar momentos tão difíceis?
Célia - Indescritível as emoções do recebimento das cartas. Para mim, não havia o impacto da descoberta, muito comum nas mães não espíritas. Impacto este vindo da descoberta, naquele momento, que a morte não existe, que a vida continua e o amor nunca morre. Mesmo sabendo, de antes, de tudo isto, receber notícias, era como ter meu filho de volta*. Sensação de esperança e de paz, de confiança em Deus e otimismo, muito me ajudaram na superação de tão doloroso luto.

JC - Você tem notícia de onde seus filhos estão, no plano espiritual, e em que tipo de atividade estão envolvidos?
Célia -Tenho sim. O Rangel, sei que o período de 1983 até esta data foi muito bem aproveitado no seu crescimento espiritual e que hoje já é um rapaz, e ajudou na chegada e adaptação da Mariana. Sua rotina lá é de estudo e trabalho. Quanto à Mariana, ainda em fase de adaptação, estuda e já consegue trabalhar um pouco. Mensagens recebidas por Geraldinho Lemos e Wagner Gomes da Paixão, às quais também pude hipotecar toda credibilidade, fruto das evidências que elas continham e que igualmente, eram desconhecidas por eles, muito têm me ajudado a conviver com a saudade e com a dor da separação física.

JC - Você tem algum tipo de mediunidade?
Célia - De alguma forma, somos todos um pouco médiuns, conforme as constatações de Allan Kardec. Particularmente, sinto a ajuda do Plano Espiritual, em nossas tarefas na seara espírita em geral e principalmente durante as palestras.

JC - Como foi sua trajetória até se tornar diretora hoje do CE Luiz Gonzaga?
Célia - Bem, a minha mãe era a zeladora do Centro e, pequenininha ainda, me lembro de estar junto dela “atrapalhando” na limpeza. Mais tarde um pouco, participava das aulas de Evangelização Infantil que ela ministrava. Depois algum tempo, na Mocidade. Nesta época eu cuidava de uma pequena livraria interna do Centro e me encontrava sempre com o Chico, que participava ainda, umas duas vezes por ano, das reuniões, quando em visita a Pedro Leopoldo. Nos anos 70 veio a faculdade, as aulas de química, o casamento e três filhos em menos de três anos, enfim, pouco tempo para a doutrina. Em 1983, ao ver partir o Rangel, reduzi as aulas do turno da noite e premida por intensa necessidade, voltei para as atividades espíritas, incluindo mais dedicação aos estudos, que, na verdade nunca cessaram.  Com a aposentadoria em 1993, comecei a cuidar da Livraria, das campanhas para a reforma e restauração do prédio, etc. Quando a dengue levou a Mariana, em 2006, e com o casamento de Aguinaldinho, meu filho mais velho, intensificamos o trabalho. Idealizamos um memorial de nossa instituição. Ao resgatar a história do Luiz Gonzaga, resgatamos junto os primórdios das atividades mediúnicas do querido e inesquecível fundador. Hoje estamos vice-presidente da casa que me acolheu durante toda esta minha reencarnação e rendo graças a Deus, pela oportunidade do trabalho.

JC - O que tem a dizer às mães que hoje buscam notícias de seus queridos que voltaram antes delas?
Célia -Digo que as portas do mundo espiritual não se fecharam com a partida do querido medianeiro. Mas, que à falta de tão cristalino instrumento, há de se ter bastante critério na busca e na aceitação de notícias. O médium deve exercer o seu mister em total clima de desprendimento material e sem vaidades. Avaliar criteriosamente se as informações contidas nas cartas eram desconhecidas do médium e etc. Perguntar ao próprio coração se reconhece ali o familiar comunicante. Também, não podemos esquecer que “o telefone toca de lá para cá” e que sempre é possível nos consolar através da vastíssima literatura deixada por Chico Xavier sobre a realidade do além-túmulo.Ao conhecermos esta realidade, saberemos que nossos entes queridos estão amparados, mais do que nunca, pela misericórdia divina e que contam com a nossa força e equilíbrio para que se sintam fortes e equilibrados.

JC - Você chegou a acompanhar o trabalho de Chico em socorro a tantas mães? Como foi essa convivência?
Célia -Tive a oportunidade de estar em Uberaba muitas vezes e vi de perto estas atividades. Eram horas incríveis de muita aprendizagem. Nos deliciávamos naqueles ágapes de amor e luz e víamos que com mensagens ou sem elas, as mães recebiam do sublime seguidor de Jesus todo conforto e ajuda que buscavam. Quando nada mais podia ser feito ou dito, o Chico as abraçava e chorava junto. Impossível aquilatar as vibrações que emanavam dele em direção a corações despedaçados em mil partes. Parece-me que nesses encontros ele oferecia uma espécie de “colinha”, pois todas saíam de lá pacificadas, harmonizadas e esperançosas. Não era o médium, era Chico Xavier agindo, era o amor em ação.

JC - Há algo que Chico haja dito para você na ocasião, que lhe marcou para sempre?
Célia -Hoje, quando a saudade de sua presença física dói tanto, tudo que consigo lembrar do que ele me dizia me marcará para sempre. Mas vou deixar uma frase, que pode ser dita a qualquer pessoa que esteja vivenciando uma separação dolorosa: Olhe o sofrimento ao seu redor, ajude a outras pessoas que sofrem, talvez até mais, que um dia você poderá dizer: “Graças a Deus reencontrei meu filho!”.

* Destaque nosso.

FONTES
Texto: JCNet, Bauru (SP), 02/05/2011
Foto: ISTOÉ, 25/03/2011.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O que disse Chico Xavier sobre as cartas psicografadas na justiça

FLÁVIO CAVALCANTI - ... a reportagem do Programa Flávio Cavalcanti deslocou-se para Uberaba e de lá trouxe esta mensagem do médium Chico Xavier.

REPÓRTER - Chico Xavier, você acredita que a Justiça possa se utilizar mais a miúde de mensagens do Além nesses casos?

CHICO XAVIER - Eu creio que uma pergunta desta deveria ser endereçada às autoridades do Poder Judiciário, e não a mim que sou apenas um pequeno companheiro de nossas experiências do dia-a-dia. Agora, falando do ponto de vista não apenas de espírita, mas também de cristão, eu me recordo de que o ponto básico da Doutrina Cristã é o da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo venceu a morte e nos deu a mensagem da Vida Eterna. Então, como cristão eu acredito que se a mensagem de alguém, que se transferiu para a Vida Espiritual, demonstrar elementos de autenticidade capazes de interessar uma autoridade humana, essa mensagem é válida para qualquer julgamento.

Programa Flávio Cavalcanti, Rede Tupi de Televisão. Rio de Janeiro, RJ, 30/09/1979. Caso Maurício Garcez Henrique.


FONTES
Texto: XAVIER, Francisco Candido. Lealdade [Mauricio Garcez]. Araras, SP, Ed. IDE, 1982. p. 39-40.
Foto: Pablo de Regino, Revista Sou mais eu.

sábado, 13 de novembro de 2010

Estreia o documentário "As Cartas Psicografadas por Chico Xavier"

As cartas psicografadas por Chico Xavier é um filme de conversas e silêncio. Mães e pais que perderam filhos, procuraram Chico, receberam cartas. Sentimentos, lembranças, imagens da falta de alguém. A procura por alento para a dor sem nome. As palavras chegam em papel manuscrito. As cartas são lidas. Sobreviver a isso, viver ainda assim. As cartas são os elos entre mães e filhos, entre Chico e essas mães e seus filhos, entre o público e o filme.

Com a participação de:

Yolanda Cezar
Nyssia Cantamessa Leão de Oliveira
Sonia e David Muszkat
Thereza de Toledo Santos
Edinah e Armando Lodi
Piedade da Silva Chapela
Maria Helena de Jesus Sonvêsso
Maura Pereira Cassiano

Direção e Roteiro: Cristiana Grumbach
Produção Executiva: Luiz Alberto Gentile
Direção de Produção: Priscila Pitta Beleli
Fotografia e Câmera: Pedro Bronz
Som Direto: Ives Rosenfeld
Pesquisa: Geraldo Pereira, Mariana Bitiato, Priscila Pitta Beleli e Tatiana Porto
Montagem: Cristiana Grumbach e Karen Akerman
Edição de Som: Mariana Barsted
Colorista: Leo Hallal
Mixagem: Damien Seth
Arte gráfica: Patricia Chueke e Phil Canedo
Mídias Digitais: Renato Damião
Equipe de Distribuição: Maurício Borges, Tathyana Genova e Flávia Milagres


Assista aqui o trailer do documentário "As Cartas Psicografadas por Chico Xavier":


Em NOVEMBRO nos cinemas.
FONTE: Site oficial do filme

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A psicografia de Chico Xavier em dois casos notórios

A vida de Chico Xavier foi marcada por acontecimentos polêmicos e, para muitos, inacreditáveis. Suas psicografias não eram assinadas apenas por renomados escritores e poetas já falecidos, mas também por gente que buscava, por meio de relatos além-túmulo, esclarecer acontecimentos ocorridos na Terra.

Alguns desses relatos foram levados em conta em tribunais de Justiça, marcando a história do País. Foi o que aconteceu em Goiânia, em maio de 1976. Uma mensagem psicografada por Chico Xavier, assinada por uma pessoa morta, foi utilizada pela primeira vez como prova para inocentar um réu.

Tudo começou quando a família de Maurício Garcez Henrique, morto aos 16 anos, foi ao encontro de Chico Xavier, a pedido do médium. Chico havia recebido uma carta do jovem na qual Maurício contava que a sua morte havia sido acidental. Na carta, Maurício contou que ele e o amigo José Divino Nunes – acusado de assassiná-lo – estavam brincando quando a arma disparou.

Os pais de Maurício ficaram impressionados, mas comprovaram a legitimidade da mensagem, que foi anexada às provas do processo. Em 16 de julho de 1979, o juiz Orimar de Bastos proferiu a sentença, inocentando José Divino Nunes, de 18 anos: “Temos de dar credibilidade à mensagem de Chico Xavier, apesar de a Justiça ainda não ter merecido nada igual, em que a própria vítima, após a sua morte, vem revelar e fornecer dados ao julgador para sentenciar”, lê-se na sentença do juiz.

Assassinato – A repercussão do fato na imprensa foi enorme, inclusive no exterior. Em 1982, o médium se envolveu em um episódio ainda mais polêmico: o assassinato do deputado federal Heitor de Alencar Furtado, filho de Alencar Furtado, ex-líder do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), cassado pelo AI-5. O policial José Aparecido Branco era acusado do crime. Mais uma vez, a habilidade mediúnica de Chico Xavier foi utilizada como recurso para esclarecer um crime.

Mensagens psicografadas por Chico e assinadas pelo deputado morto contavam como se desenrolou a morte e sustentavam que tudo tinha sido um acidente. A letra, assinatura e informações trazidas nas mensagens foram reconhecidas pelo pai de Heitor e anexadas aos autos do processo.

Em 1984, depois de mais de 30 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Mandaguari absolveu o policial. O promotor de justiça da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Davi Gallo Barouh, explica que a legislação processual brasileira não admite provas consideradas subjetivas, não-materiais, a exemplo das psicografias, que “nada mais são do que uma nova versão dos fatos, narrada pelo espírito de alguém que já morreu”, como definiu.

No entanto, Barouh destaca que, em casos como os que Chico Xavier esteve envolvido, as psicografias foram adicionadas a outras provas e testemunhos. “As mensagens psicografadas podem servir como mais um elemento no acervo probatório e, se cruzadas com outros elementos concretos, podem, sim, auxiliar na resolução de processos penais”, conclui o promotor Davi Gallo Barouh.

[...]
Por Bruna Hercog