quinta-feira, 1 de maio de 2014
Entrevistamos: Cintia Alves da Silva (14/04/2014)
segunda-feira, 20 de maio de 2013
LIVRO "As cartas de Chico Xavier: Uma análise semiótica" ( Cintia Alves da Silva )
Sinopse
Título: As cartas de Chico Xavier: Uma análise semiótica
Assunto: Linguística
Formato: 14 x 21
Páginas: 212
Edição: 1ª
Ano: 2012
Faça o DOWNLOAD GRATUITO do livro no site da editora Cultura Acadêmica:
http://www.culturaacademica.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=299
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Carta de Laurinho Basile: "Libertação"
Seu filho pede a bênção.
Saudades condensadas dão isso. Uma vontade imensa de mostrar amor.
Entretanto, ausência para nós já era. Estamos naquela da união para sempre. Morte mais se parece a um espantalho na lavoura.
Enquanto a Maturidade não chegar para o coletivo das criaturas, é preciso pintar essa abertura com sinais que metam medo. Isso é lei de Deus. Instinto de conservação. Defesa comum.
Se todas as pessoas, de uma só vez, pudessem compreender a chamada Libertação, é muita gente que desejaria pirandelar.
E fuga não é flor que se cheire. Pos aí, somos obrigados, para a nossa felicidade, a enfrentar a pedreira e rebater a picareta sem picaretagem. Trabalhar e aprender.
O corpo não é farda de que se possa desertar por bagatela. A morte precisa dessas pompas de cores estranhas e rituais encharcados de lágrimas. Semelhante indução ao receio é necessária, porque são muitos os cultivadores do capim mimoso querendo arrear o fardo educativo antes da hora.
Mas retomemos o fio. Mamãe agradeço.
Estou quase feliz, não fosse o muro. O muro vibratório que aparentemente nos segrega em faixas diferentes da força.
Reencarnação do espírito, a meu ver, se não estou dando alguma de curioso frustrado, é o mesmo que a pessoa se colocar numa espécie de voltagem diversa daquela que conhecemos por aqui.
Tudo é posicionamento elétrico, ou quase tudo, no campo de nossas vidas. O cérebro de alguém, no carro físico, está em circuito diferente para nós tanto quanto nós temos a cabeça instalada em outras dimensões da energia.
No meio dessas ramificações todas, com transformadores e conexões adequadas por toda parte, o coração é o amor e amor independe de quaisquer implementos para expressar-se.
Em razão disso, estamos nós na reciprocidade.
Eu penso e você pensa, você pensa e eu penso, isto é, conjugamos os mesmos sentimentos em cuja equação as idéias somam igualmente. Sei. Não precisaria escrever para que o seu carinho me reconhecesse na sobrevivência em que antecedi a vivencia de tantos.
A empatia é o nosso clima, tanto quanto a comunhão intima é o nosso lar.
Continuo e continuamos, você e eu, agradecendo. Temos sido muito felizes, dialogando com tantos amigos de varias faixas etárias. Creia. Temos falado juntos.
Peço a sua paciência e prossigamos em marcha. É muita juventude perguntando, muita infância a desesperar-se, muita madureza a desfazer-se em pranto e aflição.
A hora é mesmo de permuta.
Comunicação inadiável. E o importante é que essa comunicação é de fio pessoal.
Fácil observar para nós dois que, criatura a criatura, a mensagem pede adequação. A verdade é uma só, no entanto, a interpretação é serviço indispensável no domínio de cada um.
Estou agradecido ao seu esforço. Mãe querida, isso tudo é um campo novo para nós.
Você me percebe e me ouve sem que os tímpanos do corpo registrem minha voz. Isso me alegra, porque afinizados um com o outro, quais as cordas de um violino, em mãos de artistas do Mais Alto, formamos uma dupla e estamos construindo um futuro iluminado de bênçãos.
A prece é a tomada. Os pensamentos são fios que nos interligam. E a nossa palavra reflete de improviso os esclarecimentos que me alcançam, procedentes de amigos que me antecederam por aqui.
E centralizados em Deus, por Jesus Cristo, seguiremos empregando o melhor que pudermos, na formação de caminhos para os que se perderam da estrada real, às vezes marginalizados na revolta e no sofrimento.
Você e eu, juntos, responderemos ao conteúdo da Gaveta da Esperança.
Tantas bênçãos, tantos recados de carinho! Gratidão para todos os corações queridos.
Minha emoção é tamanha que, freqüentemente, a lágrima de enternecimento é a resposta que se nos fez possível. A bendita lágrima do amor, síntese de saudade e ternura, convivência e devotamento constante.
De meu lado, querida Mãezinha, informo que estou vivo. Se me perguntarem como, formularei a contra pergunta: de que modo morre a água na Terra a fim de pairar no Espaço, em estado positivamente oposto ao sólido em que a vemos no mundo?
Pois é. A água também morre e sobrevive e igualmente retorna ao campo dos homens, na incapacidade de demonstrar às balanças terrestres de que maneira se gazificou esse rematerializou na chuva benéfica, nas ocasiões em que não se volatiza, de todo, para integrar-se em outras substancias da vida cósmica.
A realidade é que eu mesmo, continuando a agir e aprendendo a servir para ser aproveitado com mais eficiência na maquina do bem de todos.
Sigo o nosso querido pescador em suas preces que são também minhas, rogando aos Mensageiros de Jesus para que meu pai esteja sob as bênçãos de Deus.
Em casa, rejubilo-me com a tranqüilidade que se vai refazendo...
Ra e Shell com a querida Menesta e com o Josetinho e os outros corações amados me proporcionam imensa alegria.
Yo e Petar com Gus e Guil e mais o pessoal entrante ou aspirante à entrada na família, são maravilhosos companheiros. Mirta e Lu são as estrelas novas em explosões de esperança e de alegria. Todo o amor para ambas.
Peço a Lu compreensão para a Pupy.
Aquele coração de carinho, pulsando sobre as patinhas não sabia ler. Por mais se lhe dissesse o que, por enquanto se lhe diga a linguagem filosófica dos que se separaram entre lágrimas e inquietações, nas fronteiras da morte e da existência, nada lhe atingiria a sensibilidade e nem lhe abordará, por agora, o entendimento simples.
A querida companheirinha não tem ainda forças para entender que não há Vazio.
E carência, Mamãe, quando não aceita sob a luz da fé em nossos mais elevados destinos, é anemia da alma. “Pingo d’água mole em pedra dura...”
De cá, entretanto, teremos recursos para auxiliá-la, mas isso, por enquanto, é uma oura historia. Se muitos não entendem os assuntos de Laurinho sobrevivente, como assimilarão certas realidades sobe os animais, especialmente aqueles que se nos fazem mais íntimos e mais queridos?
Muitas flores de carinho para a Vó Lourdes e Vó Genoveva extensivamente do avô inesquecível.
O vovô de residência em meus ranchos de agora, está comigo. Companheiro e benfeitor, com quem meus débitos vão subindo.
A proposta do Toninho é quase uma cascata.
Imagine se eu pudesse complementar um computador em nossa querida paisagem, seria um clandestino nas instituições de ciência no mundo.
Depois de uma palavra no domínio das probabilidades, porque, em verdade, sou, até agora, um Laurinho tão experimentador quanto antes, na hipótese de acertar, levantaria horrores de indagações.
Naturalmente, companheiros de pesquisa me mobilizaram para resolver problemas da Humanidade, com tal impacto de confiança que eu mesmo terminaria a aventura no caso do peão que caiu de modo sesquipedal, depois de ouvir aqueles que lhe superestimavam os méritos.
Não posso colocar o carro antes do combustível.
Devagar. A viagem de um país para outro não dá pedal para milagres. Toninho que trabalha aí que continuo a esforçar-me daqui.
Entretanto, se ele quer uma dica, procure o Sergio Pistelli, a e a Maria Beatriz que conhecemos no Eletrotécnico de Mococa e vá em frente. Se as invenções ficassem na conta de um cérebro mágico, a ciência não progrediria. E todos precisam de vez.
Presentemente mantenho a voz em outros trombones, mas o teste do Toninho está bem bolado.
Ainda assim, outra pala valiosa para o amigo é o serviço de apoio à Santa Casa.
Estou na atualidade computando outras jogadas e não posso perde a bola.
Disciplina. Essa misteriosa deusa é por demasiado exigente.
Sigamos no “Very slowly”.
Que ele me desculpe essa pretensão. É só para inglês ver.
Mãezinha, recebo os pensamentos da Selma e da Lu, de coração amolecido.
Afinal, creio hoje que nasci num ninho de estrelas e você Mamãe, com um pai, é a dona dessa prodigiosa constelação.
Meu carinho a todos. Evaldo e Tadeu, por força dos laços que nos reúnem hoje com mais peso de solidariedade, estão presentes e se fazem lembrados aos familiares queridos.
Abraços ao Pantera e a todos os Bichos admiráveis que moram no Zoológico de meu coração.
Amor pra todas as amizades, incluindo as companheiras dedicadas, meninas iluminadas de esperança às quais me sinto o irmão de sempre.
Mamãe, agora, é o fim da carta.
Quantas laudas neste processo de saudade e carinho? Ainda não sei. Conte-as a querida Barata sempre minha inspiração e luz, Vida e mestra.
Se me esqueci de nomes de nossa intimidade, isso é milonga de papo amigo, porque tenho o meu listão na memória, mas não posso estirá-lo aqui no papel.
Você Mamãe, dirá a todos, os meus amigos, que enviamos lembranças e um abração de fraternidade. Lembro o papai em minha gratidão e ternura de filho e entrego pra Você o meu coração.
Amor infalível e devoção total de seu filho
Laurinho.
Uberaba, 19 de junho de 1978
IDENTIFICAÇÕES
Nesta carta, Laurinho se refere à chamada “Libertação”, esclarecendo que, se a pudéssemos compreender muita gente haveria de querer partir.
Mas essa partida não pode ser por nossa vontade, porém pelos desígnios de Deus. Do contrario, seriamos suicidas, e estes, para cumprirem o tempo que deveriam permanecer na Terra, vão para um lugar nada agradável chamado “Umbral”.
*
Adiante, afirma Laurinho: “É centralizados em Deus por Jesus Cristo, seguiremos empregando o melhor que pudermos na formação de caminhos para os que se perderam...”
Mães, mães desesperadas, desanimadas, confiem no Cristo! Ele estenderá sempre as mãos para todos aqueles que as solicitarem.
Ter saudade, muita saudade, é um direito de todas nós, e a saudade tende sempre a aumentar. Costumo afirmar que a saudade é a nossa maior prova neste Planeta de expiações.
Mas é preciso ganhar compreensão, equilíbrio e trabalhar para o bem comum, sem esperar retribuições. É preciso estudar muito, se aprofundar nos ensinamentos do Cristo, à luz da Doutrina Espírita, para que a razão aceite estas verdades.
Nossos filhos estão vivos, trabalhando por nós e por eles, na maquina do bem de todos.
Realmente, Laurinho reafirma: “De meu lado, Mãezinha, informo que estou vivo.”
Se pararmos para pensar, temos que agradecer a Deus por tudo isso, pois, apesar de o nosso coração continuar sangrando, o sofrimento nos abre oportunidades de renovação e aprendizado.
Mães e irmãs! Pensem em nossos filhos trabalhando em outro “continente”, pela nossa melhoria e que isso só acontece com a permissão do Mais Alto.
*
É interessante notar como Laurinho explica a reencarnação em termos eletrônicos e compara a morte com a água.
Laurinho refere-se a Pupy, a cachorrinha que, a seu ver, sendo seu melhor amigo, foi se definhando, acometida de tristeza, e partiu seis meses após sua “viagem”.
Antes de partirmos para Uberaba, em nossa casa, às sete horas e trinta minutos, Pupy encerrou sua vida.
Nessa mesma noite, vem Laurinho com esta fabulosa mensagem e confirma o diagnostico dos veterinários: tristeza. Só que ele define como sendo “anemia na alma”.
Com tudo isto vem nos reafirmar que não há Vazio. E a Doutrina Espírita, com Jesus, vem nos conscientizar que, realmente, não existe o Vazio.
*
Também a proposta de Toninho, um jovem até aquela data materialista, foi colocada, por ele mesmo, na Gaveta da Esperança.
Com esse teste, tentou desafiar – é a palavra exata – nosso Laurinho em suas comunicações de um outro plano e recebeu ao pé da letra.
De tudo o que Laurinho escreve, dou ciência aos seus amigos, que estudam os mínimos detalhes, e não nego que tudo isso vem causando um “terremoto”, principalmente na juventude de Mococa e cidades circunvizinhas.
Não se esquecendo dos amigos, envia-lhes sempre o seu “alô” tão positivo, inspirando, cada vez mais, certeza numa Vida Maior, repleta de Fé e Amor ao próximo.
Mães e irmãs, quisera que soubessem quanta coisa Laurinho vem modificando!
A juventude é boa; falta-lhe motivação, alguém que a ouça e compreenda, que esteja disposto a falar a sua mesma língua.
Em geral, os moços nem sempre estão preocupados com o próximo; mas por aqui está acontecendo o contrario: estamos recebendo toda a cooperação em tudo o que fazemos, e com a melhor boa-vontade.
Tudo isto devemos às mensagens e aos inumeráveis livros de Chico Xavier, que rodam de mão em mão.
Louvado seja Deus! Com sua permissão, tudo continuará melhorando, se aperfeiçoando.
IDENTIFICAÇÕES:
Pupy - Cachorrinha da família, que merecia muito cuidado e carinho por parte de Laurinho. Desencarnou em junho de 1978.
Toninho - Sebastião Antonio cunha, residente à Rua Lucio Leonel n. 5, em Casa Branca. Trabalhava com Laurinho no campo das invenções. Laurinho deixou com ele o desenho de um computador, que se achava incompleto e pediu-me para obter de Laurinho a formula final. O pedido foi depositado na Gaveta de Esperança e respondido por Laurinho.
Sergio Pistelli - Grande amigo de Laurinho, exercendo o cargo de Secretario no Colégio Técnico João Baptista de Lima Figueiredo, em Mococa, SP, onde diplomou-se Laurinho. Sergio e família residem nesta cidade, à rua Ipiranga.
Maria Beatriz - Maria Beatriz L. de Oliveira – orientadora educacional do Colégio Técnico Industrial João Baptista de Lima Figueiredo, de Mococa, SP. Foi grande amiga de Laurinho.
Pantera - Antonio Borzani, residente em Casa Branca. Amigo de Laurinho, seria seu companheiro em São Carlos quando fossem cursar a Engenharia, morando juntos.
FONTE
XAVIER, F. C. Gaveta de esperança [espírito Laurinho Basile]. Araras (SP): IDE, 1980.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Zaranzas no além
Não sei, não.
Não posso escorropilar a cuca e botar banca dos craques de letras. Mas a pivetada quer dicas sobre os amigos da erva de início, da poeira maldita, da birita, das doenças do mundo e os cambaus, quando pintam por aqui nestas paróquias.
Não tenho condições para ser o pai da bola nestas palas, mas posso afirmar pra vocês que quando esses companheiros abotoam o paletó de madeira e largam a lata de pés juntos, ficam naquela dos calibrados, como quem não tomou conhecimento de que estão longe das garrafas e garangos.
Ficam zaranzas e birutas.
Partem logo pra idéia do escondido, porém, os majuras daqui não precisam de flagras. Os caras apresentam o miserê em que se acham por si mesmos.
Muito poucos aceitam a cana para tratamento. Quase todos se mandam pra Terra mesmo, esfomeados de sensação, junto dos homens, procurando gargantas fortes que os agüentem ou festinhas de embalo, nas quais se satisfazem ao contato de quantos preferem ignorar o lesco-lesco da vida, em que a gente pode achar as melhoradas de que necessita. E ligando os próprios canudos nos canudos daqueles que estão fora da onda, vão levando a nuvem pra frente. E a onda quadrada vai aumentando ... Em que tamanho será o estouro da maré, só Deus sabe. O que se vê e o que se nota é que os chapas engrossam a fila dos freqüentadores das bocas-fáceis e das praças de sangue quente, em caminhos dos quais é muito difícil voltar, a não ser quando os Espíritos da Lei os colocam de recueta na marra da reencarnação.
Vocês, meninada, não fiquem nisso.
Essas frias não valem.
É muito melhor viverem agarrados na pedreira dos compromissos, agüentando galhos e sarrafos, ainda que terminem esbolachados pela pancadaria legal do serviço.
A morte é apenas um sono fajuto e se vocês puderem crer no que digo, acordem a tempo para que o tempo não os acorde à força, pra retirá-los de loucuras e pesadelos.
O negócio melhor é agüentar as pontas da vida como essas pontas vierem, sem perder a esportiva e fiquem certos disso: a viverem ameaçados de cair na boca do leão, é muito mais fácil e muito melhor permanecermos por fora das patotas, alimentadas de folhas mágicas, buscando sempre e cada vez mais a turma do amigão Jesus Cristo.
Falei.
XAVIER, Francisco Candido. Falou e disse [Espírito Augusto Cezar Netto]. São Bernardo do Campo, SP: GEEM, 1978. p. 73-77.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
O que disse Chico Xavier sobre as cartas psicografadas na justiça
REPÓRTER - Chico Xavier, você acredita que a Justiça possa se utilizar mais a miúde de mensagens do Além nesses casos?
CHICO XAVIER - Eu creio que uma pergunta desta deveria ser endereçada às autoridades do Poder Judiciário, e não a mim que sou apenas um pequeno companheiro de nossas experiências do dia-a-dia. Agora, falando do ponto de vista não apenas de espírita, mas também de cristão, eu me recordo de que o ponto básico da Doutrina Cristã é o da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo venceu a morte e nos deu a mensagem da Vida Eterna. Então, como cristão eu acredito que se a mensagem de alguém, que se transferiu para a Vida Espiritual, demonstrar elementos de autenticidade capazes de interessar uma autoridade humana, essa mensagem é válida para qualquer julgamento.
Programa Flávio Cavalcanti, Rede Tupi de Televisão. Rio de Janeiro, RJ, 30/09/1979. Caso Maurício Garcez Henrique.
FONTES
Texto: XAVIER, Francisco Candido. Lealdade [Mauricio Garcez]. Araras, SP, Ed. IDE, 1982. p. 39-40.
Foto: Pablo de Regino, Revista Sou mais eu.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
"As Mães de Chico Xavier" nos cinemas
Esse longa, de certa maneira, faz uma síntese dos três filmes relacionados com Chico Xavier lançados nos últimos meses: "Chico Xavier", a biografia assinada por Daniel Filho; "Nosso Lar", adaptação do livro homônimo; e "As Cartas Psicografadas de Chico Xavier", documentário sobre comunicação entre vivos e mortos.
Ao centro de "As Mães de Chico Xavier" estão três mulheres com dilemas que envolvem a vida e o além. Ruth (Via Negromonte, de "Chico Xavier") é casada com Mário (Herson Capri), produtor de televisão, cujo filho, Raul (Daniel Dias) está envolvido com drogas. O casamento de Elisa (Vanessa Gerbelli, de "Sem Controle") está em crise, e ela deposita toda sua esperança no filho pequeno (Gabriel Pontes). E Lara (Tainá Muller, de "Cão sem Dono") descobre-se grávida de seu namorado (Gustavo Falcão), que ganhou uma bolsa de estudos na Espanha. Ela cogita fazer um aborto.
Como na estrutura dos filmes do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu ("21 Gramas"), as três histórias correm em paralelo até convergirem na figura do médium que, novamente, é interpretado por Nelson Xavier.
O roteiro, assinado por Emmanuel Nogueira e Glauber Filho, que também dirige o longa com Halder Gomes, é baseado no livro "Por trás do Véu de Ísis", do jornalista Marcel Souto Maior. Caio Blat interpreta Karl, um repórter de televisão que é uma espécie de alterego de Souto Maior. Trabalhando com Mário, o rapaz é incumbido de entrevistar Chico Xavier, e comprovar a veracidade das cartas.
A entrevista virá em boa hora para juntar as três histórias. Há poucas dúvidas no personagem de Blat, que aceita as mensagens como verídicas e se impressiona com o médium.
O elo entre as três tramas, mais do que o médium e a comunicação pós-morte, é a temática da maternidade. Ruth acha que falhou ao criar seu filho. Artista plástica, tenta superar suas frustrações pintando quadros. Elisa se transforma em mãe em tempo integral. Negligenciada pelo marido (Joelson Medeiros), ela encontra no filho a única razão para passar os seus dias. Já Lara tem dúvidas se nasceu para ser mãe. Esse questionamento, aliás, rende a única boa cena do filme, envolvendo as duas personagens, já perto do final.
"As Mães de Chico Xavier" é um filme de mensagens, uma espécie de propaganda nada sutil de doutrinas e julgamentos morais, como demonstra um letreiro final, que avisa: "Esse filme é dedicado às vítimas do aborto provocado".
Por Alysson Oliveira, do Cineweb.
FONTE: Cinema UOL, 31/03/2011.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Testemunhos do outro mundo: entrevista com o juiz Orimar de Bastos
TerraTV - Notícias - O Dia: Réus absolvidos por mensagem do além
No dia seguinte, a mãe do jovem morto recebe a visita de Chico Xavier, que leva carta psicografada do filho: “Avise a mamãe para suspender o processo contra João França. Ele é inocente e essa história tem prejudicado o meu crescimento”.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
A psicografia de Chico Xavier em dois casos notórios
A vida de Chico Xavier foi marcada por acontecimentos polêmicos e, para muitos, inacreditáveis. Suas psicografias não eram assinadas apenas por renomados escritores e poetas já falecidos, mas também por gente que buscava, por meio de relatos além-túmulo, esclarecer acontecimentos ocorridos na Terra.Alguns desses relatos foram levados em conta em tribunais de Justiça, marcando a história do País. Foi o que aconteceu em Goiânia, em maio de 1976. Uma mensagem psicografada por Chico Xavier, assinada por uma pessoa morta, foi utilizada pela primeira vez como prova para inocentar um réu.
Tudo começou quando a família de Maurício Garcez Henrique, morto aos 16 anos, foi ao encontro de Chico Xavier, a pedido do médium. Chico havia recebido uma carta do jovem na qual Maurício contava que a sua morte havia sido acidental. Na carta, Maurício contou que ele e o amigo José Divino Nunes – acusado de assassiná-lo – estavam brincando quando a arma disparou.
Os pais de Maurício ficaram impressionados, mas comprovaram a legitimidade da mensagem, que foi anexada às provas do processo. Em 16 de julho de 1979, o juiz Orimar de Bastos proferiu a sentença, inocentando José Divino Nunes, de 18 anos: “Temos de dar credibilidade à mensagem de Chico Xavier, apesar de a Justiça ainda não ter merecido nada igual, em que a própria vítima, após a sua morte, vem revelar e fornecer dados ao julgador para sentenciar”, lê-se na sentença do juiz.
Assassinato – A repercussão do fato na imprensa foi enorme, inclusive no exterior. Em 1982, o médium se envolveu em um episódio ainda mais polêmico: o assassinato do deputado federal Heitor de Alencar Furtado, filho de Alencar Furtado, ex-líder do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), cassado pelo AI-5. O policial José Aparecido Branco era acusado do crime. Mais uma vez, a habilidade mediúnica de Chico Xavier foi utilizada como recurso para esclarecer um crime.
Mensagens psicografadas por Chico e assinadas pelo deputado morto contavam como se desenrolou a morte e sustentavam que tudo tinha sido um acidente. A letra, assinatura e informações trazidas nas mensagens foram reconhecidas pelo pai de Heitor e anexadas aos autos do processo.
Em 1984, depois de mais de 30 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Mandaguari absolveu o policial. O promotor de justiça da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Davi Gallo Barouh, explica que a legislação processual brasileira não admite provas consideradas subjetivas, não-materiais, a exemplo das psicografias, que “nada mais são do que uma nova versão dos fatos, narrada pelo espírito de alguém que já morreu”, como definiu.
No entanto, Barouh destaca que, em casos como os que Chico Xavier esteve envolvido, as psicografias foram adicionadas a outras provas e testemunhos. “As mensagens psicografadas podem servir como mais um elemento no acervo probatório e, se cruzadas com outros elementos concretos, podem, sim, auxiliar na resolução de processos penais”, conclui o promotor Davi Gallo Barouh.
domingo, 29 de agosto de 2010
As cartas de Chico Xavier nos tribunais: quatro casos de repercussão internacional
Psicografia como meio de prova documental
De acordo com Weimar Muniz de Oliveira, Presidente da Federação Espírita de Goiás, a psicografia pode ser definida como "um dom mediúnico pelo qual o médium recebe, por via intuitiva ou mecânica, a mensagem de autoria espiritual"1. Na definição do Dicionário Aurélio, "psicografia é a escrita dos espíritos pela mão do médium"2.
Doutrinariamente, pode-se dizer que "prova" é o "instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência de certos fatos"3.
No processo penal, com exceção das provas concernentes ao estado das pessoas, cuja comprovação obedece às restrições ditadas pela lei civil (CPP, art. 155)4, todos os demais meios de prova tendentes ao esclarecimento da verdade dos fatos são, em tese, plenamente aceitos.
Entenda-se como "meios de prova" os modos ou instrumentos não defesos em lei, capazes de revelar a verdade, dentre eles as provas testemunhal, documental e pericial (CPP, arts. 155-250).
Nesse contexto, cumpre identificar que meio de prova seria aquele que se obtém com a psicografia.
Em linhas gerais e de forma objetiva, pode-se dizer que, na linguagem jurídica, prova pericial é aquela "realizada ou executada por peritos, a fim de que se esclareçam ou se evidenciem certos fatos"5. Por conseguinte, o "espírito" nem o "médium" – considerado este pela doutrina espírita como "o intermediário entre os vivos e a alma dos mortos"6 – podem ser enquadrados na definição de prova pericial.
Nos termos do art. 202 do Código de Processo Penal, "toda pessoa poderá ser testemunha". Trata-se, porém, "da pessoa natural, isto é, o ser humano, homem ou mulher, capaz de direitos e obrigações"7. Daí que os "espíritos" ou "desencarnados" não podem ser, juridicamente, considerados testemunhas.
Já de acordo com o art. 232 do Código de Processo Penal, "consideram-se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares".
A psicografia, por constituir-se manuscrito, pode ser tomada, pela interpretação do citado dispositivo, como sendo documento particular, visto que é "feito ou assinado por particulares" (médium), "sem a interferência de funcionário público no exercício de suas funções"8.
Na esfera penal, tem-se notícia de pelo menos quatro decisões judiciais fundadas em comunicações mediúnicas psicografadas por Francisco Cândido Xavier, de repercussão internacional, e que até hoje geram polêmica no meio jurídico. Cuida-se dos seguintes casos:
a) Dois crimes de homicídio ocorridos em Goiânia (GO): um, no dia 10 de fevereiro de 1976, praticado por João Batista França contra Henrique Emmanuel Gregoris; o outro, no dia 8 de maio de 1976, cometido por José Divino Gomes contra Maurício Garcez Henriques, em que os autores do delito foram absolvidos.
b) Um crime de homicídio havido no Mato Grosso do Sul no dia 1º de março de 1980, praticado por José Francisco Marcondes de Deus contra a sua esposa Gleide Maria Dutra de Deus, ex-miss Campo Grande. João de Deus, condenado por homicídio culposo, teve sua pena prescrita.
c) Um crime de homicídio perpetrado na localidade de Mandaguari (PR), no dia 21 de outubro de 1982, pelo soldado da Polícia Militar Aparecido Andrade Branco, vulgo "Branquinho", contra o então deputado federal Heitor Cavalcante de Alencar Furtado. Neste, embora admitida como prova a mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, na qual o espírito da vítima inocentava o réu pelo tiro que deste recebera, o Tribunal do Júri, por cinco votos a dois, considerou-o culpado, tendo o Juiz de Direito, Miguel Tomás Pessoa, fixado a condenação em oito anos e vinte dias de reclusão.
Recentemente (maio/2006), a imprensa nacional noticiou que, na cidade de Viamão (RS), o Tribunal do Júri absolveu Lara Marques Barcelos, acusada de mandar matar o tabelião Ercy da Silva Cardoso, executado dentro de casa com dois tiros na cabeça na noite do dia 1º de julho de 2003, em face de uma carta emitida pela vítima, pelas mãos do médium Jorge José Santa Maria da Sociedade Beneficente Espírita Amor e Luz9.
(...)
Leia o artigo na íntegra no site "Jus Navigandi".
segunda-feira, 28 de junho de 2010
A cidade dos espíritos
Alexandre Salvador, de Uberaba
Fotos Manoel Marques
Turismo das almas: O médium Celso de Almeida Afonso (à esq.) psicografa uma mensagem por meio de garranchos (abaixo). Ele é um dos sucessores de Chico Xavier, cuja imagem ilustra um outdoor (à dir.) que saúda os visitantes na entrada da cidade
O Brasil é a nação com o maior número de seguidores do espiritismo, a doutrina criada no século XIX por Allan Kardec, pseudônimo do francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, e cuja característica mais divulgada é a possibilidade de comunicação direta entre vivos e mortos. O país tem 2,2 milhões de espíritas declarados, segundo o último censo do IBGE, e outros 18 milhões de simpatizantes, de acordo com a Federação Espírita Brasileira (FEB). Nesse contexto, Uberaba, no interior de Minas Gerais, localizada a 480 quilômetros de Belo Horizonte, pode ser considerada a capital mundial do espiritismo. A cidade, com 290 000 habitantes, conta com mais de 100 centros kardecistas, contra apenas 54 igrejas católicas. A razão pela qual o espiritismo criou raízes tão profundas em Uberaba é o legado do médium Francisco de Paula Cândido Xavier. Chico Xavier se mudou para Uberaba em 1959 e viveu na cidade até morrer, em junho de 2002. Antes de ele se instalar ali, o número de centros kardecistas não chegava a dez.
Ao longo de sua doutrinação, Chico Xavier "escreveu" 412 livros ditados, segundo ele, por espíritos do além. No jargão espírita, são obras "psicografadas". Os primeiros deles eram de poesia, assinados, entre outros, pelo poeta parnasiano Olavo Bilac e pelo naturalista Augusto dos Anjos. Depois, suas obras passaram a divulgar a doutrina kardecista. Chico Xavier afirmava receber vários espíritos. Um dos que mais impressionavam suas plateias era o do médico cearense Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, que viveu no Rio de Janeiro no século XIX. Dizendo incorporá-lo, Chico receitava medicamentos – sempre fitoterápicos, para não ser enquadrado em crime de charlatanismo – aos fiéis que o procuravam. Juntos, os volumes escritos pelo médium venderam até hoje mais de 30 milhões de cópias. Sua biografia, As Vidas de Chico Xavier, foi transformada em filme. Um novo longa será lançado em setembro e retratará a história do livro Nosso Lar – seu maior best-seller, com 2 milhões de cópias vendidas. Mesmo após oito anos de sua morte, a influência de Chico Xavier em Uberaba ainda é fortíssima e desperta a curiosidade de milhares de turistas espirituais que visitam a cidade.
Enquanto o médium era vivo, as caravanas chegavam quase que diariamente à cidade. "Não menos de 1 000 pessoas, todas as sextas e sábados", diz o filho adotivo de Chico, Eurípedes Higino dos Reis, que é dentista, mas não exerce a profissão. Hoje, o movimento de fiéis é menor. Mesmo assim, Uberaba é referência para aqueles que buscam pelos discípulos de Chico Xavier para estabelecer uma ponte com a vida após a morte. Nos fins de semana, ônibus de visitantes circulam pela cidade à procura das sessões públicas de psicografia. Quem vai aos centros espíritas quase sempre passou por grande trauma envolvendo a morte. Perdeu de forma trágica ou inesperada um filho, os pais ou um irmão. No ritual, o médium se comunica com esses parentes falecidos, recebe deles uma mensagem e a transcreve no papel.
Os procedimentos são bem parecidos em todos os centros. Os interessados em receber mensagens do plano espiritual devem preencher uma ficha com dados básicos (nome, parentesco, data de nascimento e de morte) da pessoa com quem desejam se comunicar. Em seguida, o médium se fecha numa sala, onde analisa as fichas e tenta estabelecer contato com os espíritos dos mortos. Depois dessa seleção, senta-se em frente à mesa, concentra-se e começa a psicografar. Em média, de cinco a seis cartas são escritas por sessão. Enquanto ele preenche as páginas em branco – trabalho que demora uma hora e meia, para todas as mensagens –, outros membros do centro discursam aos presentes sobre assuntos da fé e da espiritualidade, com base em passagens dos livros kardecistas. Ao final da psicografia, o médium faz a leitura pública das mensagens. Como os garranchos são incompreensíveis, a leitura é gravada.
O momento da leitura das cartas é, de longe, o mais emocionante da sessão. Em quase todas as mensagens, os mortos se referem aos parentes vivos pelo nome. Em algumas, é descrita a causa ou a situação em que o "remetente" morreu ou fornecida alguma informação que, supostamente, seria de conhecimento apenas dos parentes. Esse é um ponto controverso. Nas sessões testemunhadas pela reportagem de VEJA, o médium fez previamente uma pequena entrevista com o interessado em receber a carta. "É um encontro muito rápido, não mais de um ou dois minutos. É um elemento de sintonia", assegura o médium Carlos Antônio Baccelli, do Lar Espírita Pedro e Paulo, um dos mais visitados pelos turistas. Baccelli afirma que Chico também tinha esse tipo de conversa preliminar.
Fé e assistencialismo
O médium Carlos Baccelli no Lar Espírita Pedro e Paulo, que serve de asilo a idosos: mais de 100 livros publicados
Carlos Antônio Baccelli é considerado pelos fiéis que o procuram um dos principais sucessores de Chico Xavier, inclusive nas atividades assistenciais. Ele administra um asilo com trinta idosos abandonados pela família. Baccelli tem mais de 100 livros publicados. Segundo o médium, alguns foram escritos por espíritos e psicografados por ele. Em outros, ele se assume como autor. Mais do que fornecer testemunhos verossímeis de espíritos que se comunicam do além, as cartas têm a função de confortar os parentes dos mortos. "É preciso que as pessoas leiam a mensagem com carinho e não tentem buscar aquilo que elas desejam saber, mas sim ouvir o que a pessoa que está do outro lado pode dizer", comenta o paulista João Roberto Rui dos Santos, que, logo na primeira visita a Uberaba, recebeu uma carta do filho morto em um acidente automobilístico aos 18 anos. Santos já havia perdido outro filho, com apenas 3 meses de idade. Ele admite que forneceu informações ao médium Celso de Almeida Afonso, do Centro Espírita Aurélio Agostinho, mas não tem dúvida de que é seu filho que está se comunicando. "Antes mesmo de dizer qualquer coisa, ele falou que meu avô Luiz está cuidando do meu filho. Eu não havia revelado esse detalhe a ninguém", conta Santos.
Mensagens que confortam
João Roberto Rui dos Santos, a esposa, Carmen, e a filha Marina no Centro Aurélio
Agostinho(à esq): emoção de receber uma carta do filho morto aos 18 anos. O ritual espírita inclui passes de energização (à dir.)
O Grupo Espírita da Prece, centro fundado por Chico Xavier em 1975 e onde o médium trabalhou até o fim da vida, não realiza mais sessões de psicografia. A decisão de encerrar a comunicação escrita com o além foi de Eurípedes Higino, que agora administra o centro espírita e as obras assistenciais criadas por seu pai adotivo. "Ele me transmitiu essa missão. Ele me chamava de ‘último dos moicanos’", diz Eurípedes. É ele quem detém os direitos sobre a memória e o nome de Chico Xavier. A exceção são as obras literárias: o médium cedeu sua parte nos lucros às editoras que publicam seus livros. Às quintas-feiras, a Casa Assistencial Chico Xavier oferece um jantar a mais de 1 000 pessoas, além de doar pão, leite, enxoval para crianças e fornecer orientação médica e odontológica gratuita.
Para as obras assistenciais, Eurípedes conta essencialmente com donativos, a maior parte vinda de um grande empresário do ramo de borracha e plástico do Rio Grande do Sul. Vale-se também da renda de uma pequena livraria montada em frente à casa onde morava o médium. O principal produto à venda são suvenires com a imagem de Chico. Eurípedes atendeu a outro pedido do médium: que abrisse as portas da casa onde morava e a transformasse em um museu. O gesto quase causou o tombamento do único imóvel herdado pelo filho adotivo. Por isso, Eurípedes fez questão de pintar uma mensagem bem terrena na fachada da casa: Casa de Memórias e Saudade Chico Xavier – imóvel de minha propriedade.
O herdeiro e o mentor
O filho adotivo de Chico Xavier, Eurípedes Higino dos Reis, na casa em que viveu o médium: controvérsia ao desmentir que o espírito do pai já tenha se manifestado. O médico cearense do século XIX Bezerra de Menezes (ao lado) receitava remédios por intermédio de Chico.
Eurípedes é uma figura controversa em Uberaba. Nos últimos anos de vida de seu pai, atuava como uma espécie de empresário do médium. Controlava o acesso a ele e escolhia quem podia vê-lo. Depois da morte de Chico, envolveu-se em polêmicas a respeito da autoria de mensagens e até livros atribuídos ao espírito de Chico Xavier. Essas mensagens foram recebidas por vários médiuns do país, inclusive Celso de Almeida e Carlos Baccelli, ambos de Uberaba. Eurípedes nega que seu pai tenha se comunicado com o mundo dos vivos após a morte. "Há mais de 200 mensagens atribuídas a ele, todas falsas", diz.
O que faz o filho adotivo de Chico ter tanta certeza de que as mensagens são apócrifas é o pacto que celebrou com o pai antes de ele morrer. O médium determinou que qualquer mensagem que enviasse ao mundo terreno conteria determinado código. O médico particular de Chico, que coincidentemente tem o mesmo nome do filho, Eurípedes Tahan, e uma amiga, Kátia Maria, são testemunhas desse pacto. Como nenhuma das mensagens carrega o tal código, o filho de Chico as rechaça. A questão do código é posta em dúvida por muitos seguidores do espiritismo. Segundo eles, citando os escritos de Allan Kardec, espíritos superiores, como seria o caso de Chico Xavier, não emitem sinais em códigos. O autor francês, na obra O Livro dos Médiuns, diz que eles se fazem reconhecer apenas pela superioridade de suas ideias. A principal atividade econômica de Uberaba é a pecuária. A cidade abriga uma exposição permanente de gado, a Expozebu. Fora isso, é pacata e não apresenta grandes atrativos turísticos. Por isso mesmo, a prefeitura e o comércio local incentivam o espiritismo. Out-doors com a imagem de Chico Xavier saúdam os visitantes que chegam em busca de conforto espiritual por meio do contato com o além. Para esses forasteiros, Uberaba é a cidade dos espíritos.
FONTE: Revista Veja, Comportamento. Edição 2170 / 13 de junho de 2010.
domingo, 20 de junho de 2010
A psicografia como meio de prova
Alaide Barbosa dos Santos FilhaBacharel pela Universidade São Francisco/SP,Colaboradora Revista Fonte do Direito.Notas:1) Publicado na Revista Fonte do Direito, Ano I, n. 1, Mar./Abr.
2010, p. 57.2) Para ver a Revista na íntegra acesse: http://www.fontedodireito.com.br/rfd/FD01-marabr2010.pdf
Introdução
A cinebiografia do médium Chico Xavier, lançada no início de abril, já possui uma das maiores bilheterias da história do cinema nacional desde 1995, nos três primeiros dias de exibição, traz como pano de fundo um acontecimento inédito na Justiça brasileira e que até hoje causa polêmica: uma carta psicografada pelo médium Chico Xavier serviu de prova para inocentar um acusado de assassinar seu amigo de infância.
Outras cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier também serviram de prova para inocentar outros dois acusados de assassinato. As cartas dos mortos, psicografadas pelo médium, foram admitidas como prova de inocência nos julgamentos. Nos três casos, as mortes foram, segundo os acusados e as cartas, não intencionais. O médium mineiro Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, morreu em 2002 e é considerado um dos lideres religiosos mais influentes do país.
Mais recentemente, tais cartas passaram a servir de material de estudo para a pesquisadora Cintia Alves da Silva, formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e estudiosa na área de Semiótica e Análise do Discurso. Segundo escreveu ela em seu blog As Cartas de Chico Xavier, o trabalho do médium suscita inúmeras questões: "algumas questões se fazem inevitáveis: o que fez a justiça ter aceitado as cartas recebidas por Chico Xavier? Em quais elementos os juízes dos casos se basearam para inocentar os réus? O que, nessas cartas, foi determinante para que a inocência dos réus fosse sentenciada? Quais critérios foram adotados pelos dois juízes em situações que beiraram o nonsense da jurisdição? Aliás, há razões para supor que haveria qualquer coerência, ainda que interna a esses textos-cartas, que pudesse merecer a atenção da justiça? O que, nessas comunicações, levou a justiça brasileira a adotar cartas recebidas por via mediúnica como meio de prova no tribunal do júri?"
Nossa intenção aqui é aprofundar um pouco o estudo acerca deste tema tão controverso e polêmico: a psicografia como meio de prova.
LEIA O ARTIGO COMPLETO na Revista Fonte do Direito:
http://www.fontedodireito.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=542&Itemid=12
domingo, 18 de abril de 2010
Esclarecimento sobre pesquisa de "A Vida Triunfa"
Com relação às informações contidas na matéria publicada na edição número 277, de abril / 2010, da revista Superinteressante, que podem, por conta de testemunho, colocar em dúvida a autenticidade das mensagens psicografadas por Chico Xavier, o autor do livro A Vida Triunfa, Paulo Rossi Severino, e a presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo, à época, Dra Marlene Rossi Severino Nobre, responsável pela pesquisa, esclarecem que o médium Chico Xavier atendia 60 pessoas, das 14h às 18h, em Uberaba (MG), dispondo, portanto, de quatro minutos, em média, para cada consulente. Este tipo de atendimento passou a ser feito dessa forma, depois da participação do médium no primeiro programa “Pinga-Fogo”, na extinta TV Tupi, em julho de 1971, e se estendeu por cerca de 20 anos, quando o médium teve que interromper o atendimento por longos períodos em virtude de problemas de saúde.Devido à escassez do tempo de consulta e ao grande número de pessoas a serem atendidas, somente em alguns casos o médium tinha necessidade de conversar um pouco mais com a família, estendendo a entrevista para além dos quatro minutos. Em geral, esse tempo maior era concedido pelo próprio médium, não para obter mais informações da família quanto às circunstâncias da morte, mas para fornecer às mães desalentadas dados que lhe eram revelados naqueles instantes de entrevista por espíritos familiares, ali presentes, que vinham consolá-las e que eram, em sua maioria, desconhecidos do próprio médium.
Conforme consta do capítulo terceiro do livro, “cada entrevista tinha a duração de cinco a dez minutos, tempo exíguo, mas suficiente para que o entrevistado declarasse seu nome e o da pessoa falecida, e, eventualmente, fizesse algum rápido comentário”. Em alguns casos, revela a pesquisa, “durante o breve encontro, o sensitivo registrava a presença, através da clarividência, de parentes falecidos, citando seus nomes ou referindo-se a um fato qualquer relativo ao desenlace ou a problema familiar”.
De qualquer forma, não foram poucos os casos em que pessoas receberam mensagens mesmo sem terem passado por entrevista com o médium. Além de A Vida Triunfa, da Editora FE, há cerca de 130 livros publicados com as mensagens que Chico Xavier recebeu, dirigidas aos que perderam seus entes queridos. É um farto material para aqueles que queiram conhecer histórias autênticas.
Paulo Rossi Severino, autor, e Marlene Rossi Severino Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo, em 1990, hoje presidente das associações médico-espíritas do Brasil e Internacional, e uma das autoras da pesquisa computadorizada. 16 de abril de 2010.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
As cartas familiares na justiça
Suas cartas, escritas em sessões semanais no Centro Espírita da Prece, emocionaram pais, esposos e filhos e ainda hoje nos despertam interesse pelo estudo do fenômeno da psicografia ou escrita mediúnica.
Aceitas em processos judiciais, as cartas de Chico Xavier extrapolam o senso comum e instauram uma condição única, jamais presenciada nos tribunais de outro país - a utilização de correspondências de "mortos" como meio de prova em julgamentos.
As cartas familiares, psicografadas por Chico Xavier, foram utilizadas em 3 processos judiciais, em que três réus acusados de assassinato foram inocentados. Nos três casos, as mortes foram, segundo os acusados e as cartas, não intencionais.
Algumas questões se fazem inevitáveis: o que fez a justiça ter aceitado as cartas recebidas por Chico Xavier? Em quais elementos os juízes dos casos se basearam para inocentar os réus? O que, nessas cartas, foi determinante para que a inocência dos réus fosse sentenciada? Quais critérios foram adotados pelos dois juízes em situações que beiraram o nonsense da jurisdição? Aliás, há razões para supor que haveria qualquer coerência, ainda que interna a esses textos-cartas, que pudesse merecer a atenção da justiça? O que, nessas comunicações, levou a justiça brasileira a adotar cartas recebidas por via mediúnica como meio de prova no tribunal do júri?
Essas são algumas das perguntas que me faço ao ler as cartas de Chico, todas tão iguais e, ao mesmo tempo, intrigantemente diferentes...
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
As cartas de Chico Xavier: um relato de pesquisa.
Este é um registro de impressões sobre o meu projeto de pesquisa.
Minha intenção é relatar aqui algumas reflexões e eventos ocorridos em torno do estudo das cartas familiares, psicografadas por Chico Xavier, e que são objeto da pesquisa que venho desenvolvendo desde Outubro de 2008.
As cartas de Chico Xavier são polêmicas e despertaram o interesse dos que perderam seus entes queridos, dos espíritas e, curiosamente, da Justiça brasileira, a única no mundo a registrar três casos de absolvição em acusações de homicídio, nos quais as cartas foram utilizadas como meio de prova.
Uma das ocasiões determinantes para que eu me interessasse por estudar o caso Chico Xavier foi quando eu assistia a um documentário sobre a vida do médium - “Chico Xavier Inédito: de Pedro Leopoldo a Uberaba” - no qual a Dra. Marlene Nobre falava sobre uma análise feita pela AME-SP (Associação Médico-Espírita do Estado de São Paulo), nos anos 70. A equipe da AME, coordenada por Paulo Severino Rossi, analisou mais de 200 cartas psicografadas pelo médium, num estudo estatístico que comparava dados citados nas comunicações psicografadas com aqueles presentes em questionários preenchidos pelas famílias dos mortos. No documentário, Dra. Marlene mostrava os resultados e punha o material à disposição de quem quisesse investigar o assunto. Esse estudo foi posteriormente transformado em um livro, nos anos 90. Foi desse comentário que nasceu, oficialmente, a minha curiosidade sobre as cartas de Chico Xavier. Curiosidade esta alimentada por outros materiais com os quais tive contato e, adicionalmente, por minha tendência a enxergar padrões em tudo. Padrões linguísticos, estrutura, estilo, coerência, recorrência, autoria, identidade – palavras que não pararam mais de rondar a minha mente e que têm alimentado a minha investigação desde aquele depoimento, anacronicamente direcionado à minha obsessão por vasculhar, coletar e classificar informações. Em dois meses, verti a idéia em um projeto acadêmico que permitia vazão a várias das minhas tendências: a pesquisa, a linguística, o espiritismo, a psicografia e um gosto mórbido por enigmas. Tudo isso entremeado à vida de uma das figuras mais marcantes da história de nosso país. O brasileiro do século, Chico Xavier. E uma pergunta em minha mente: como a ciência pode explicar esse fenômeno?
Esse nome tem me despertado curiosidade, euforia, respeito, admiração e, por vezes, um temor inexplicável. Não temo pelo Chico. Temo por a sua figura, a figura construída pela mídia, pela memória e pelo imaginário do povo. Sei que devo me afastar do fascínio exercido por sua imagem. É uma exigência do método, do rigor científico. Não posso, entretanto, me afastar com leviandade, exatamente por saber da importância de sua história. É preciso encontrar a isenção necessária. A justa medida.







